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«Tropa-Fandanga»: o regresso da revista ao Teatro Nacional Dona Maria II

«Tropa-Fandanga – Uma Revista à Portuguesa do Teatro Praga» é o último espetáculo em cena no Teatro Nacional Dona Maria II que marca o regresso da revista aquela sala desde «Passa por mim no Rossio».

A peça passa em revista, contrariamente ao habitual, o último século destacando as efemérides dos 40 anos do fim da Guerra Colonial e os 100 anos do início da Primeira Guerra Mundial.

A ideia surgiu a partir do Teatro Praga que coproduz o espetáculo e que pretendeu basear-se no género de revista para construir a peça. O objetivo passou por homenagear o género teatral como afirma Pedro Zegre Penim, um dos membros do grupo que assina a direção do espetáculo, em entrevista: “Queríamos fazer uma revista e não uma versão“.

Para encabeçar um elenco de vários atores afetos ao Teatro Praga está José Raposo que surge como cabeça de cartaz: “Contámos muito com o Zé Raposo para garantir que se tratava de uma revista. Era essencial termos uma vedeta. É muito completo, versátil e eclético“.

O trabalho de criação do espetáculo passou por uma pesquisa exaustiva do género, das suas regras, do que se encontra em cena atualmente e a partir desse material passou-se à  construção do “texto criado a várias mãos. É um percurso muito partilhado” muito à semelhança do que sempre aconteceu na história do género teatral. Quanto ao processo criativo, o encenador revela também que foi um processo muito partilhado e que foi fácil com a sua equipa alcançar o resultado final “Representar à maneira de revista foi surpreendemente fácil“.

José Raposo é cabeça de cartaz desta «Tropa-Fandanga» e afirma que, apesar de nunca ter assistido a um espetáculo do Teatro Praga, tem sido uma experiência muito valorosa tecendo rasgados elogios ao grupo: “Nunca tinha visto uma peça do Teatro Praga. Nada melhor para fazer uma revista do que com este grupo“. O ator sublinha ainda a importância do regresso da revista ao Teatro Nacional e destaca a versatilidade do género que tem vindo a modificar-se ao longo do tempo: “Isto só prova que a revista se foi modificando ao longo do tempo. Estou contente por este grupo poder mostrar que a revista pode ser um espetáculos de qualidade. Os próprios Praga são muito completos em todo o sentido. São um grupo muito colectivo, trabalham muito colectivamente“.

Um dos momentos altos da peça é a homenagem que José Raposos faz a Raúl Solnado que o encenador justifica pela própria estrutura do género: “a revista tenta repegar coisas que estão para trás e acrescentar coisas novas”.

O espetáculo recupera também a tradição musical do género e a acompanhar um grupo de nove atores e quatro bailarinos estão também sete músicos que tocam ao vivo, com canções originais de Sérgio Godinho e orquestrações de João Paulo Soares.

«Tropa-Frandanga» estreou na Sala Garret do TNDMII no passado dia 20 de fevereiro e está em cena até 16 de março quartas às 19h00, quintas a sábados às 21h00 e domingos às 16h00.

Fotografia: Luís Miguel Costa

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Estudante de Farmácia, amante das ciências e das artes. Gosto particular por entretenimento em diversas áreas: televisão, cinema, teatro, música.

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