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«Cabaret Alemão» traz irreverência e sátira política ao Teatro do Bairro

«Cabaret Alemão» traz irreverência, uma sátira aguçada e a garantia de uma noite diferente ao Teatro do Bairro contando com Maria Rueff e Sofia de Portugal no elenco.

O espetáculo surgiu de uma ideia de Maria Rueff e do encenador António Pires, tal como refere a atriz em entrevista: “O click foi uma necessidade artística nossa partilhada de, nesta altura concreta da sociedade portuguesa, perceber o impacto que esta crise está a ter em todos nós do ponto de vista social, económico, financeiro, cultural, educacional, tudo…

Tanto Maria Rueff como Sofia de Portugal, são já atrizes experientes neste género de Café Teatro e isso é notório em cada cena. Rueff acrescenta que sentia mesmo necessidade de voltar à origem: “No meu caso concreto como humorista é a necessidades voltar à origem. Eu comecei com o Café Teatro e portanto sentia que precisava muito de voltar a esta linguagem subversiva, quase olhos nos olhos com as pessoas. Quase segredando-lhes ao ouvido.”

A cumplicidade entre as atrizes traz riqueza ao espetáculo e neste caso particular, é mesmo um dos grandes pontos fortes. «Cabaet Alemão» é acutilante na crítica, é musicalmente interessante e leva-nos a questionar o momento que vivemos atualmente.

Luisa Costa Gomes foi a responsável pelo texto que introduziu no meio das músicas. Uma simbiose perfeita, ao estilo de Café Teatro que mais uma vez não desilude. Sofia de Portugal refere ainda que o espetáculo foi pensado para ser enriquecido com os temas do dia. Não é um espetáculo fechado e o público sentirá isso mesmo: “quem venha ver sinta que parece que é um espetáculo que foi escrito para hoje“.

Os temas são atuais e pertinentes. Do machismo ao neo-liberalismo económico, da crise à influência alemã, todos os temas são abordados com pontos de vista que facilmente nos identificamos. Maria Rueff refere como chegaram a alguns destes temas : “Embora a lei esteja cada vez mais avant garde, a verdade é que a sociedade parece que regrediu. Portanto nós mulheres sentimos muito o ressurgimento de um neo-machismo, uma homofobia, uma misoginia calada, surda. É exatamente todas essas coisas surdas que aí estão que nós quisemos tratar.”

Mário Vieira de Carvalho foi o responsável por trazer o repertório do verdadeiro Cabaret Alemão para o palco do Teatro do Bairro, no entanto foi aposta em não cair nos temas mais conhecidos do público: “Pedimos ao professor Mário vieira de Carvalho que nos ajudasse a levantar o repertório do cabaret alemão dos anos 30 e curiosamente fomos descobrir coisas arrepiantemente atuais. Digamos que hoje Hitler não tem rosto e a forma que arranjou esse tal não rosto foi esvaziarem-nos financeiramente e economicamente“.

Quanto à proximidade imposta pelo género e até pelo cenário, Rueff remata afirmando que privilegia a interação com o público e que isso enriquece o próprio espetáculo: “da minha prática de café teatro, cantar ao vivo, cantar com pessoas, com esta proximidades, as pessoas tornam-se depois muito cúmplices. É depois muito bonito porque acaba por ser um espetáculo feito por toda a gente. Pela maneira como as pessoas retribuem gargalhando ou sorrindo ou até cantando conosco porque alguns refrães são de tal forma orelhudos que eu acredito e gostava que as pessoas os cantassem também. É uma espécie de partilha mesmo.”

«Cabaret Alemão» estreou no passado dia 17 de março e está em cena no Teatro do Bairro às segundas e terças às 22h00. O preço dos bilhetes é de 18€ em lugares sentados e 10€ em lugares em pé.

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Estudante de Farmácia, amante das ciências e das artes. Gosto particular por entretenimento em diversas áreas: televisão, cinema, teatro, música.

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