Destaques

Um complexo “Regresso a Casa” na Sala Garrett

Estamos nos subúrbios de Londres, década de 60, numa aparente apatia moral, entre operários, prostituição e o domínio masculino. “Regresso a Casa” é um dos mais complexos textos de Harold Pinter e está em cena no Teatro Nacional D. Maria II até 27 de abril, com encenação de Jorge Silva Melo e o regresso a “casa” de João Perry que sobe ao palco da sala Garrett, sessenta anos depois da sua estreia em teatro.

Trata-se de um regresso, ou talvez não, a chegada de Teddy, professor universitário nos EUA, à casa de Max, seu pai, um velho de 70 e muitos anos, despojado de qualquer valor moral. Judeu, Max, interpretado por João Perry, é o pai dos três filhos que agora se reúnem na velha casa, nos subúrbios de Londres, decorada sem requinte ou qualquer valor estético.

uma

É entre as velhas poltronas daquela sala dos anos 60, onde Max começa o dia a ler o jornal, que entra Ruth, esposa de Teddy e o único elemento feminino do elenco. Da submissão sexual naquele antro de dominação masculina à independência, esta mulher desafiar-se-á (ou será desafiada) a discorrer dos seus princípios em prol da sobrevivência.

Esta não é uma peça simples, nem um texto fácil de entender. Um dia em que, na metrópole inglesa, sonhos e realidade, no absentismo da virtude, se cruzam entre a frieza, a crueldade e o sacrifício humano. Em cena uma família, um conglomerado de emoções e desentendimentos. Uma janela temporal que se abre ao mundo em que Pinter viveu e onde se pretende dar vida ao despojo moral sentido à época.

Em cena até 27 de abril, a João Perry juntam-se Rúben Gomes, Elmano Sancho, João Pedro Mamede, Jorge Silva Melo e Maria João Pinho para a interpretação de “Regresso a Casa”, na sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II.

Categorias
DestaquesPalcos & Letras

Se o Jornalismo não se pode considerar uma ciência temos certamente de olhá-lo como uma arte. A arte de saber contar estórias e marcar a história. Estudante de Jornalismo (ESCS-IPL)

Comentários