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Estado da TV # 11

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Aposta arriscada

Por esta altura já todos ouviram falar de «Rising Star», o formato que será a grande aposta da TVI para as noites de Domingo a partir de Maio e que é apelidada nas promoções da estação como “uma nova experiência em televisão”. Nesta crónica lanço algumas dúvidas relativamente a este novo programa que constitui a meu ver uma aposta arriscada da estação de Queluz.

Para quem não está familiarizado com o programa, «Rising Star» foi a grande estrela do MIPCOM (feira de conteúdos televisivos) do ano passado e rapidamente se converteu no talent-show mais rapidamente vendido de sempre (em termos de número de estações de televisão que o adquiriram num curto espaço de tempo). O grande atrativo do formato é fazer com que os telespetadores sintam que são parte integrante do programa ao votarem em tempo real nas atuações musicais de que gostam a partir de uma aplicação gratuita para smartphone. Os telespetadores que votarem poderão ver ainda os seus rostos surgir no painel gigante que separa os concorrentes do júri em estúdio.

Esta interatividade (sem precedentes em televisão) pode causar o efeito surpresa necessário para fazer do programa um sucesso em Portugal. A intensa e boa promoção de que tem sido alvo dará certamente também uma ajuda nas primeiras emissões. A questão que se coloca é o que acontecerá depois deste efeito surpresa passar. Será que este talent-show é no fundo assim tão diferente do «Ídolos», do «Factor X» ou do «The Voice»? Não estará o público saturado de «talent-shows»? São questões que devem estar na mente dos responsáveis da TVI.

Esta aposta parece-me particularmente arriscada por dois outros motivos. Primeiro, este é um formato que com exceção da versão original e de uma versão da Rede Globo que estreou recentemente com resultados muito modestos, continua por ainda não ter sido testado a nível mundial, o que significa que não há modelos a seguir nem soluções concretas para o caso das coisas correrem mal. Em segundo lugar, «Rising Star» vai ser exibido em época de Mundial de futebol. Não seria mais expectável a TVI armadilhar-se de um formato mais forte como um reality-show para conseguir resistir à avalanche de jogos que vão ser exibidos pela RTP? Terá um talent-show força suficiente? Duvido que sim e o histórico de programas musicais em Portugal só reforça as minhas dúvidas.

 

Até para a semana,

Filipe Vultos

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Farmacêutico de formação, químico de profissão, com interesse no mundo do audiovisual e da televisão em particular. Tenho uma visão crítica e analítica sobre a televisão em Portugal estando especialmente atento às estratégias de programação e de promoção.

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