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Estado da TV # 12

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A Gala da TV

Foi na passada semana que se realizou a Gala de Troféus de Televisão da TV7Dias. Este evento que já vai na quinta edição tem vindo de ano para ano a ganhar cada vez mais reconhecimento junto do público e dos profissionais da área. A relevância que esta gala anual tem vindo a assumir fez com que pelo segundo ano consecutivo tivesse direito a transmissão televisiva num canal do cabo (no ano passado na TV Record, este ano no canal Q).

Quando se fala em prémios de televisão é impossível não nos recordarmos das galas dos Globos de Ouro (SIC/Caras) que até 2004 tinham como expoente máximo a entrega dos troféus na área da televisão (ficção, entretenimento e informação). No início do novo milénio vivia-se o auge da guerra das audiências entre as duas estações privadas, e a ausência na lista de vencedores de nomes da TVI como Teresa Guilherme, Sofia Alves e Manuela Moura Guedes ou de programas como o «Big Brother» levou a que se levantassem suspeitas quanto à imparcialidade dos prémios. A rutura entre as duas estações ditou então o fim da categoria de televisão. Hoje penso que é consensual que o interesse dos telespectadores nos Globos de Ouro caiu muito com a exclusão desta categoria que era sem dúvida a mais mediática de todas.

Guerras e birras entre as três principais estações generalistas impediram nos anos seguintes (apesar de terem existido várias tentativas, segundo a imprensa) a concepção e a realização de um novo evento de atribuição de prémios de televisão em Portugal, tornando-se este um caso deveras curioso em que havendo interesse dos telespectadores (e portanto, potencial de grande audiência) não houve, até agora, capacidade por parte das estações para corresponder a esse interesse. Na verdade, a defesa do “castelo” de cada um tem sido mais importante do que servir o telespectador. Não estarão as prioridades invertidas?

Os prémios TV7Dias vieram colmatar essa ausência e o mérito é todo do grupo Impala. Concorde-se ou não com a escolha dos vencedores (“Gang dos Cotas” como melhor programa de humor?!), foi bom ver tantas figuras de topo provenientes de todas as estações reunidas para comemorar o melhor que se faz em TV em Portugal. Foi também bom ver Herman José, em grande forma, a conduzir magistralmente a gala, e assistir aos momentos de humor, bem conseguidos, com os geniais Manuel Marques e Eduardo Madeira. Não deixa é de ser incompreensível e até caricato que tudo isto se passe longe das três estações generalistas e do grande público que todos os dias assiste aos programas nomeados e que no fundo alimenta a indústria televisiva.

Até para a semana,

Filipe Vultos

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Farmacêutico de formação, químico de profissão, com interesse no mundo do audiovisual e da televisão em particular. Tenho uma visão crítica e analítica sobre a televisão em Portugal estando especialmente atento às estratégias de programação e de promoção.

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