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Estado da TV # 15

 

Fins de semana SIC

 

As noites dos fins de semana da SIC ganharam recentemente novos protagonistas com as estreias de “Sabadabadão” e “O Poder do Amor”.

Para as noites de Sábado e para enfrentar o poderosíssimo “Masterchef” da TVI a estação de Carnaxide armadilhou-se com os seus apresentadores mais valiosos: Júlia e Baião. Se Baião está como “peixe na água” neste formato que parece feito à sua medida o mesmo já não se pode dizer de Júlia que parece estar deslocada e “a mais”. A obsessão em formar duplas de apresentadores desta vez não resultou. “Sabadabadão” ganharia popularidade se fosse identificado pelo público como o “programa do Baião” em vez de ser o híbrido que é.

Quanto ao conteúdo, “Sabadabadão” apresentou-se como um programa ambicioso, de grande entretenimento, mas depressa desiludiu. As noites de Sábado da SIC recorrem a fórmulas que fizeram sucesso na década de 90 (em programas como “Não se Esqueça da Escova de Dentes” ou “Surprise Show”) mas que na actualidade já não causam surpresa nem diversão nos telespectadores, sobretudo quando servidas ao público com a pobreza com que são apresentadas na SIC. Trata-se de uma viagem ao passado, mas com menos recursos (o que se nota no pequeníssimo estúdio onde é feito o programa). O novo programa da SIC é incapaz de causar algum impacto e parece-me que rapidamente passará à história. Resumindo, foi um tiro ao lado.

Já  “O Poder do Amor”, apesar da estreia tímida, parece-me ter espaço para se impôr nas noites de Domingo que eram até agora dominadas pelos talent-shows da concorrência. Colocar Cátia Palhinha e Gisela Serrano, no mesmo programa, a competir em desafios que as expõem ao ridículo parece-me ser uma fórmula que certamente assegura audiências. Não se consegue perceber é a razão pela qual a condução de “ O Poder do Amor”, programa que se enquadra claramente no conceito de trash-tv, recaiu sobre a sempre glamorosa e algo snob Bárbara Guimarães, sobretudo quando a SIC tem na sua direção alguém que há uns anos se auto-intitulava com orgulho como  a “rainha do trash” em Portugal. De qualquer forma, mesmo com Bárbara, este formato pode ser a surpresa deste início de Verão,e  curiosamente na SIC, estação com menos tradição nos reality- shows.

 

Até para a semana,

Filipe Vultos

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Farmacêutico de formação, químico de profissão, com interesse no mundo do audiovisual e da televisão em particular. Tenho uma visão crítica e analítica sobre a televisão em Portugal estando especialmente atento às estratégias de programação e de promoção.

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