Estado da TV

Estado da TV # 16

 

 

As “Mulheres” da TVI

 

Estreou no passado Domingo a mais recente aposta da TVI na ficção nacional. “Mulheres” é uma novela adaptada da original colombiana “El último matrimonio feliz” exibida entre 2008 e 2009 na estação RCN e que no seu país de origem foi vencedora de vários prémios incluindo o de melhor telenovela.

Como o próprio nome sugere o enredo de “Mulheres” gira à volta de sete personagens femininas e das suas envolvências familiares muito distintas.  Estas mulheres ficcionadas são a força motriz desta história que retrata com simplicidade e ao mesmo tempo grande realismo os problemas e angústias de tantas e tantas mulheres reais de qualquer parte do mundo.

Contrariamente às últimas novelas nacionais estreadas por ambos os canais privados “Mulheres” não recorre a grandes vilões nem a planos diabólicos de vingança ou de disputa de fortunas. É antes uma novela do dia a dia, que tem o tom e o ritmo certos e que não cai no exagero fácil que tem sido tão tentador nos últimos anos para as estações nacionais. É exactamente por não ser um dramalhão, que mesmo só com uma semana de exibição, me arrisco a dizer que “Mulheres” é a melhor novela da TVI dos últimos anos. Os diálogos fazem lembrar as novelas mais antigas do autor da Globo Manoel Carlos como “Mulheres Apaixonadas”, “História de Amor” ou “Laços de Família”, sempre carregadas de realismo e com a forte presença do quotidiano do universo feminino (o que me leva a pensar que provavelmente “Mulheres” tenha sido pensada para combater a telenovela “Em Familia” que acabou por ir para as 19 horas na SIC). O genérico impecável (seguramente também um dos melhores de sempre da TVI) acompanhado da belíssima música da Mariza “O tempo não pára” também é merecedor de elogio.

Não posso ainda deixar de fazer referência ao desempenho sublime de Sofia Alves que enche o ecrã com a protagonista “Mariana”. Confesso que já me tinha esquecido (culpa das personagens que lhe foram entregues nas últimas novelas) do prazer que é ver Sofia Alves a representar. Também aqui me arrisco a dizer que esta personagem será marcante na carreira da actriz.

Então e o que é a TVI decidiu fazer com este produto tão bom e que podia ser um marco na ficção do canal? Colocou-o na terceira faixa, a menos vista, do horário nobre, a começar diariamente já bem perto da meia noite. Lógico? Não, de todo.  A estabilidade nos horários das novelas anteriores é importante , é verdade, mas neste caso face à qualidade e ao potencial da nova telenovela a TVI devia ter optado por exibir a novela mais cedo num horário de maior visibilidade e empurrar umas das outras novelas para mais tarde. Faltou visão à direcção da TVI. No entanto, apesar desta má decisão, acredito que “Mulheres”, dada a sua qualidade (e caso a mantenha, o que é sempre uma incógnita) possa vir lentamente a conquistar público e chegue um dia a dominar o horário que até agora é da já fidelizada “A Guerreira”. Mas não será um percurso fácil. Por culpa da TVI.

 

Até para a semana,

Filipe Vultos

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Farmacêutico de formação, químico de profissão, com interesse no mundo do audiovisual e da televisão em particular. Tenho uma visão crítica e analítica sobre a televisão em Portugal estando especialmente atento às estratégias de programação e de promoção.

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