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Estado da TV # 21

 

Regresso às origens

 

Estreada no final do mês de Junho em substituição do falhado “Mais vale à tarde do que nunca”, “Juntos no Verão” é a mais recente aposta da TVI para as tardes de Sábado. O formato apresentado por Teresa Guilherme e Isabel Silva (estrela em rápida ascensão na TVI) prometia o regresso dos números gordos de audiência do “Não há bela sem João”, programa que durante semanas a fio garantiu a liderança isolada da TVI.

Já há muito tempo que Teresa Guilherme manifestava publicamente o desejo de conduzir um programa no horário de acesso ao prime-time. E a verdade é que depois de alguns meses em stand-by, Teresa viu a sua teimosia ser recompensada pela TVI com a oportunidade de fazer um programa de Verão nas tardes de Sábado. Quem viu Teresa Guilherme em programas como “Destino X” e “Não se esqueça da escova de dentes” sabe que o formato do “Juntos no Verão” é, na sua essência, a cara de Teresa. Desde a explosão do Big Brother que Teresa Guilherme tem sido encarada como a mestre dos reality-shows em Portugal, o que fez com que durante anos se afastasse do tipo de formato que a popularizou nos anos 90. Por isso, “Juntos no Verão” é uma espécie de regresso às origens para Teresa, que pode agora voltar a surpreender o público da plateia, oferecer presentes a desconhecidos e proporcionar viagens de sonho. Já poucos se lembravam, mas Teresa é muito boa neste tipo de programa. Prepara-se como ninguém e constrói o seu guião de forma a maximizar o suspense e os momentos emotivos. E talvez tenha sido mesmo para relembrar o público desse facto, que Teresa tenha sido tão insistente em voltar à antena com um programa que fugisse ao conceito de reality-show.

“Juntos no Verão” é indubitavelmente um programa superior ao “Mais vale à tarde do que nunca”. O novo programa da TVI tem um formato bem estruturado e conceptualizado. Percebemos o seu fio condutor e tem uma produção, que apesar das limitações de meios, se esforça por surpreender. Tem a grande vantagem de nas três emissões já realizadas ainda não ter recebido nenhum ex-concorrente do Secret-Story (presença constante no programa antecessor). Em vez disso, o programa tem recebido figuras de topo da TVI como Pedro Teixeira, Rita Pereira, Fernanda Serrano e Manuel Luís Goucha. Só isso já diz muito sobre a diferença entre os dois programas (alguém imaginaria Goucha no “Mais vale à tarde do que nunca”?).

Contudo, o problema do “Juntos no Verão” é o mesmo que apontei há umas semanas para o “Sabadabadão”. Os orçamentos mais reduzidos da actualidade tornam impossível que estes programas de surpresas tenham a espectacularidade que tinham nos anos 90 quando oferecer viagens para destinos longínquos e exóticos era quase trivial. A acrescentar a isso, o cancro das chamadas telefónicas de valor acrescentado persiste no “Juntos no Verão”, assassinando logo à partida algum do ritmo do programa. Tirando isso, e tendo em conta a competência e experiência de Teresa Guilherme, acredito que o programa possa ter um percurso interessante, embora grandes audiências em época de calor e de praia sejam quase impossíveis de obter.

Até para a semana,

Filipe Vultos

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Farmacêutico de formação, químico de profissão, com interesse no mundo do audiovisual e da televisão em particular. Tenho uma visão crítica e analítica sobre a televisão em Portugal estando especialmente atento às estratégias de programação e de promoção.

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