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Herman José fala sobre «Há Tarde»: “vai ser uma aposta ganha ainda que moralmente”

Herman José está de regresso à televisão. Depois da experiência no «Verão Total» o apresentador vai partilhar com Vanessa Oliveira a condução do talk-show «Há Tarde» e esteve à conversa com a imprensa na apresentação do novo day-time da RTP.

O apresentador revela que o projeto foi delineado com muito cuidado e tem objetivo de marcar a diferença: “este projeto da tarde foi acarinhado desde o princípio com muita seriedade e nada foi feito pela lei do menor esforço. Desde o cenário, à concepção do próprio programa. Queríamos que as tardes tivessem públicos que pudessem de alguma maneira marcar uma diferença em relação aos demais”.

Sobre a parceira Vanessa Oliveira, Herman mostrou-se fã: “conheço muito bem o trabalho dela” e confidenciou ter sido consultado relativamente à dupla “secretamente, tipo segredo de estado: Se por acaso fosse o que é que tu achavas? Lindamente! Depois fingi que fiquei surpreendido”. O apresentador confessou ainda que foi colocada à sua disposição a hipótese de conduzir «Há Tarde» a solo, mas que optou por não fazê-lo: “O Hugo Andrade pôs-me à disposição ser eu sozinho a fazer. (…) Se fosse uma hora aceitava de caras e fazia um programa tipo Ellen. Em três horas não, tem de ser um programa totalmente diferente. Preciso muito da Vanessa, preciso muito do apoio dela porque é uma empreitada grande e nós não podemos nunca desapaixonarmo-nos do formato”.

O parceiro de Vanessa Oliveira confessa que se via neste formato e explica as razões: “Via-me muito neste formato por uma razão muito simples, porque à noite é cada vez mais impossível fazer aquilo que eu fazia nos anos 90 nos meus programas, que é conversar, ouvir música, desenvolver uma ideia, cozinhar. Hoje em dia ou são grandes formatos, ou é ficção ou são coisas de late-night e que mesmo assim têm pouca penetração”. Sobre as diferenças em relação à concorrência, Herman adianta que será uma aposta na qualidade: “Há produtos que podem ser perfeitamente relegados para outros programas por serem artísticos de menores”.

day time RTP

Os quatro rostos do novo day-time da RTP

Relativamente às metas audiométricas, o apresentador afasta a liderança dos objetivos: “Liderança jamais, os canais privados têm mecanismos que permitem subverter o jogo. Ou elevando os prémios, ou entrando por temas que nós não queremos entrar”. Assim, o objetivo passa por manter os números do programa anterior: “Gostava muito de manter pelo menos a audiência que tinha o «Portugal no Coração». Se não conseguirmos serei o primeiro a agradecer e ir à minha vida” e sublinha a confiança no projeto: “Vai ser uma aposta ganha ainda que moralmente. Eventualmente, não sei, as audiências são muito traiçoeiras”.

O intérprete que deu vida aos míticos Serafim Saudade, Maximiana, Nelo, entre outros, afasta o regresso das personagens de sempre à televisão de forma diária: “Não, podem contar com humor. Pontualmente é tudo possível. Pode apetecer-me e fazer uma tarde inteira só de humor mas não há obrigação nenhuma”.

Herman satirizou ainda a crescente necessidade de apelo às chamadas de valor acrescentado do day-time televisivo: “Numa reunião que tivemos de produção, eu chamava-lhe diabetes. É uma espécie de diabetes que os programas apanharam. Portanto uma pessoa quando tem diabetes tem de aceitar, dar a injeçãozinha e tentar sobreviver. Não há volta a dar porque neste momento é uma fonte de rendimento importantíssimo para as televisões”.

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Estudante de Farmácia, amante das ciências e das artes. Gosto particular por entretenimento em diversas áreas: televisão, cinema, teatro, música.

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