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Reciclar o Facebook é Flanzine

Flanzine nasceu de duas pessoas que estabeleceram contato pelo facebook e que não têm qualquer intenção de revolucionar as crises do jornalismo. Um trabalho com os olhos postos no presente, com especial foco na fugaz relação das pessoas com a rede, que pretende não desperdiçar o que a invenção de Zuckerberg produz de relevante para aqueles que se interessam pela gema do ovo, essencial na feitura do pudim Flan.

Os temas que nela figuram, de três em três meses, são um retrato daquilo que na rede social se vai divulgando e comentando, culturalmente, assuma-se. Mas de cultura também se faz política, ilustrações, fotografia e, claro, na cultura se versam também os trejeitos sátiro-humorísticos, próprios de quem gosta de desconstruir as várias realidades.

Pensar o jornalismo, nos dias negros que esta arte percorre, é pensar sobretudo no sobrevalorizar o digital e reiventar os títulos, os leads, as ilustrações, as personagens, os discursos e, sobretudo, dar nova definição ao fio condutor. João Pedro Azul e Luís Olival, os “loucos” por detrás deste projeto, sem asas para voar, decidiram ir mais longe e passar para o papel os posts daqueles que, sem o saberem, são os verdadeiros jornalistas da rede, fazedores de estórias e construtores da realidade.

Lançamento do sexto número - Fome - na Sala de Atos do Teatro Garrett na Póvoa de Varzim por José Carlos Marques - CMPV

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Lançamento do sexto número – Fome – na Sala de Atos do Teatro Garret na Póvoa de Varzim. Fotografia: José Carlos Marques

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Com a colaboração dos mais dedicados facebookianos à divulgação cultural do que por cá se vai passando, a Flanzine é a nova janela do jornalismo, que não se abre à morte do papel aceitando e sobrevalorizando a importância dos novos media digitais. Um conjunto de textos, ilustrações e trabalhos artísticos que figuram por detrás de um tema único. O sexto é “Fome” e foi lançado no bar-restaurante Primeiro Andar, em Lisboa, no dia 12 de dezembro.

A sua divulgação é única, motivo para celebrações, de norte a sul do país, como concertos, a Festa Flan e jantares que servem também para a divulgação de espaços dedicados à leitura, música e cultura. São um investimento falhado, é certo, mas nem só de dinheiro se faz a cultura daqueles que não gostam de dietas e se entregam, com um verdadeiro sorriso, às delícias de um pudim Flan.

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Se o Jornalismo não se pode considerar uma ciência temos certamente de olhá-lo como uma arte. A arte de saber contar estórias e marcar a história. Estudante de Jornalismo (ESCS-IPL)

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