Cultura

Numa palavra: Orgulho

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antes tivemos oportunidade de apresentar “Os Gatos Não Têm Vertigens” de António Pedro Vasconcelos, mas só agora me coube a inteligência, e talvez a oportunidade, de o poder assistir. Esta não é uma crónica vestida de crítica cinematográfica, até porque não teria capacidade intelectual para isso, mas antes uma sugestão e sobretudo uma salva de palmas à cultura portuguesa.

Sou fã confesso de cinema norte-americano. Gosto da linguagem fácil, do estilo hollywood, dos filmes de massas e dos efeitos especiais. Não gosto das salas comerciais. Odeio o ruído das pipocas ou das palhinhas a sugar constantemente o líquido borbulhante. Gosto sobretudo de uma boa história. E é de uma boa história que trata o texto de Tiago Santos, o argumentista, sob a brilhante realização de António Pedro Vasconcelos. Não sigo de perto o cinema português, apesar de ter conhecimento da evolução que tem sofrido, mas assistir a “Os Gatos Não Têm Vertigens” deu-me vontade de querer mais, ver mais e saber mais sobre o cinema português. Ver o filme protagonizado por Maria do Céu Guerra recordou-me de “Amour”, o filme de Michael Haneke, galardoado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes, que é talvez um dos filmes com o melhor argumento a que já assisti.

os gatos não têm vertigens

“Um livro pode mudar a vida de uma pessoa”, diz-nos a atriz no papel de “Rosa” e para mim um bom filme só o é quando me dá uma nova perspetiva da minha própria vida. E foi esse o papel do “Gatos”. É um filme que adiei sempre ver por falta de tempo e tê-lo feito foi inteligente, sinto-o agora. Não sei se as outras pessoas pensam desta forma mas para mim um filme é um momento de espetáculo solene, que deve ser acompanhado de uma boa companhia, quando a há, com quem partilhamos o momento em que a obra nos ilumina e nos deixa pensativos. Recordo-me de muitas histórias, de vários filmes que me marcaram de uma ou outra forma e associo-os sempre à(s) pessoa(s) que me acompanhavam nesse momento.  Trata-se de um momento especial. É assim que sinto o cinema.

A história de “Rosa” e “Jó” deixou-me feliz com a indústria. É desejo e vontade o que sinto. Desejo em conhecer mais histórias escondidas na Rua da Costa do Castelo e vontade em me ver mais vezes arrasado pela qualidade de um filme produzido, realizado e interpretado por portugueses. Não há apoios à cultura e por isso nem à indústria cinematográfica, mas hão-de haver portugueses, franceses, ingleses e até, quem sabe, chineses que vão encher salas, mesmo que sejam as comerciais, com as pipocas e tudo, para ver cada vez mais e melhor cinema feito e produzido em português.

Numa palavra, orgulho.


Se o Jornalismo não se pode considerar uma ciência temos certamente de olhá-lo como uma arte. A arte de saber contar estórias e marcar a história. Estudante de Jornalismo (ESCS-IPL)