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As Árvores Morrem de Pé, os grandes atores são eternos

As Árvores Morrem de Pé é o novo espetáculo de Filipe la Féria em cena no Teatro Politeama. Com Manuela Maria, Ruy de Carvalho, Maria João Abreu e Carlos Paulo nos principais papéis.

Se as As Árvores Morrem de Pé, como nos diz o texto de Alejandro Casona eternizado pela voz de Palmira Bastos no Teatro Nacional, os grandes atores são mesmo eternos. Porque é de grandes interpretações que se faz este espetáculo de Filipe la Féria.

O espetáculo conta a história de um grupo de ilusionistas que tem por objetivo praticar o bem e ajudar as pessoas em momentos de aflição. Depois de salvar uma mulher do suicídio, que acaba por abraçar a causa, o grupo tem um grade desafio pela frente. Um avô desesperado pede para que alguém se faça passar por neto de uma avô que espera por este há quase trinta anos. Tudo porque o verdadeiro neto tornou-se num bandido mau caráter que acabou naufragado no Atlântico. A verdade foi escondida da avó que vai agora ser iludida numa mentira planeada ao pormenor.

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Sim, existe um cenário majestoso, que muito bate em pontos a velhinha encenação do Nacional. Sim, o guarda-roupa é exemplar e deixa-nos maravilhados a cada cena. Mas é mesmo das performances dos grandes atores do elenco que vive este espetáculo.

Manuela Maria teve a difícil tarefa de substituir Eunice Muñoz, entretanto operada ao coração. Se inicialmente ficou reticente em aceitar, a verdade é que é um deleite vê-la no palco do Politeama. Com esta avó consegue na perfeição expressar todas as emoções desta senhora e simultaneamente dar-lhe uma ternura e dramatismo muito autênticos.

Ruy de Carvalho é outro dos grandes nomes do elenco deste As Árvores Morrem de Pé. A segurança que emprega na sua prestação em palco é bastante reveladora dos seus anos de experiência e um deleite de ver nas tábuas do Politeama.

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Depois da referência feita a estes dois grandes nomes da representação, justiça tem de ser feita para também enaltecer mais prestações. Os atores Carlos Paulo e Maria João Abreu construíram duas personagens verdadeiramente dignas de memória. Todo o elenco está mesmo à altura da histórica representação do Nacional protagonizada por Palmira Bastos.

Resta esperar pelo regresso de Eunice Muñoz ao papel. Isto sem nenhum tipo de desprimor pela Manuela Maria, que está verdadeiramente sublime com esta personagem. Como duas grandes atrizes que são, as interpretações serão necessariamente diferentes e isso trará certamente uma dinâmica diferente ao espetáculo.

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Estudante de Farmácia, amante das ciências e das artes. Gosto particular por entretenimento em diversas áreas: televisão, cinema, teatro, música.

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