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Noite Viva – Cinema e Teatro em simbiose perfeita no Teatro Aberto

João Lourenço brinda-nos com um novo espetáculo que junta Teatro e Cinema numa simbiose perfeita. A história de Conor McPherson é complementada pelo filme da exclusiva autoria do encenador e Vera San Payo Lemos, que acrescentam novos personagens e novas perspectivas à ação.

Tratando-se de um texto que podia ser o dia-a-dia de qualquer pessoa. É extamante por esse realismo que se destaca. Divórcio, prostituição, violência doméstica, consumo de drogas e morte são ingredientes explorados em cena e na tela.

Em termos de interpretações, Vítor Norte consegue um Tomás convincente. Trata-se de um homem comum cujo divórcio quase destruiu a sua vida. O ator consegue aqui um personagem bem construído e facilmente identificável, com uma empatia que o próprio sabe tão bem construir com o público.

Anna Eremin traz-nos a novidade, o desejo e uma certa irreverência que se tornam tão necessárias para construir aquele personagem também de nome Ana. Uma prostituta que tem a oportunidade de ao lado de Tomás ter um novo começo. Quando os sentimentos falam mais altos ela hesita e não é certo o caminho que vai seguir.

Filipe Vargas consegue também uma interpretação sólida com um Doc consistente e sem falhas. Um personagem por si só desafiante, com camadas muito para além das visíveis e que mostra muito mais do que aparenta.

De destacar ainda o desempenho de João Perry no filme, apesar da curta interpretação. O ator atigiu um tal patamar de excelência que em poucos minutos no ecrã rouba completamente a cena e consegue cativar qualquer espectador.

O filme funciona por si só como espetáculo. Ritmado, bem realizado e filmado e que desperta o interesse complementando a ação em cena do palco. Já a parte teatral combina boas interpretações à sempre excelente encenação de João Lourenço.

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Estudante de Farmácia, amante das ciências e das artes. Gosto particular por entretenimento em diversas áreas: televisão, cinema, teatro, música.

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