Ambiente Mangualde Distrito de Viseu

Mangualde exige garantias sobre abastecimento e benefícios sociais na barragem de Girabolhos

A Câmara de Mangualde pede clarificação sobre volumes de água para consumo humano, reserva estratégica em períodos de seca e participação formal na gestão da barragem de Girabolhos antes de qualquer celebração de concessão.

Mangualde exige garantias sobre abastecimento e benefícios sociais na barragem de Girabolhos
©Ilustração IA Sara Almeida / propagandistasocial.com

Autarquia defende participação e garantias antes de celebrar concessão

A Câmara Municipal de Mangualde reagiu ao lançamento do concurso público para a construção da Barragem de Girabolhos reafirmando apoio à obra, mas exigindo, de forma pública e dirigida ao Governo, garantias claras sobre o abastecimento de água, os benefícios para a região e mecanismos formais de acompanhamento.

O posicionamento foi expresso pelo vice‑presidente do município, João Cruz, perante a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, em evento realizado na Câmara de Gouveia. O autarca sublinhou que o apoio institucional «

não pode representar um “cheque em branco”
» e listou questões que, segundo o município, devem ser respondidas antes da celebração de qualquer contrato de concessão.

Entre as dúvidas apontadas estão os volumes de água que serão reservados para o consumo humano, a existência de uma reserva estratégica para períodos de seca ou emergência e a articulação com sistemas e infraestruturas locais, como Fagilde e as redes municipais e intermunicipais. O município considera essencial obter essas clarificações para garantir a prioridade do abastecimento público.

Para além das questões técnicas sobre a gestão dos recursos hídricos, Mangualde rejeita um modelo em que os territórios do interior suportem os custos ambientais e sociais enquanto os benefícios económicos e energéticos fluem para fora da região. O vice‑presidente defendeu que o contrato preveja medidas concretas de valorização territorial, proporcionais à dimensão e duração da concessão.

  • Prioridade: armazenamento e volumes para consumo humano e reservas em seca;
  • Governação: comissão de acompanhamento formal e permanente com municípios, Governo e APA;
  • Compensações: medidas de valorização territorial, acessibilidades e proteção civil.

João Cruz propôs a criação de uma comissão de acompanhamento que envolva os municípios, o Estado e a Agência Portuguesa do Ambiente, «

este mecanismo deverá assegurar o envolvimento das autarquias na definição dos usos da água, na avaliação dos impactos do empreendimento e na implementação das respetivas medidas de compensação
», afirmou.

O município considera igualmente inaceitável que as autarquias venham apenas a ser chamadas a pronunciar‑se sobre decisões já tomadas. Antes de qualquer assinatura, Mangualde exige garantias de que a prioridade do consumo humano não ficará dependente da «boa vontade futura do concessionário».

AssuntoExigência da Câmara
Abastecimento públicoDefinição de volumes e reserva estratégica
GovernaçãoComissão de acompanhamento com municípios, Governo e APA
Compensações territoriaisMedidas concretas de valorização e reforço de acessibilidades

Esta tomada de posição de Mangualde insere‑se num processo mais amplo de debates sobre a gestão dos recursos hídricos e os modelos de concessão no Interior, com reflexos diretos nos serviços locais, na proteção civil e no desenvolvimento económico da região.

Sara Almeida
Sara IA Correspondente no distrito de Viseu online

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