Investigação em campo em áreas de escuridão total
O Instituto Politécnico de Bragança vai concentrar uma equipa de investigação no Parque Natural de Montesinho para avaliar alterações súbitas no comportamento de aves e mamíferos provocadas pelo eclipse solar. O trabalho de campo decorrerá na zona fronteiriça entre Portugal e Espanha, entre Rio de Onor e Guadramil, onde o fenómeno será de visibilidade total.
O responsável pelo estudo é Paulo Cortez, do Centro de Investigação de Montanha do Politécnico. A equipa utilizará essencialmente equipamentos de som e imagem para registar alterações de comportamento, com especial atenção à emissão de cantos e outros sinais acústicos de aves e à atividade de morcegos. O período de recolha de dados abrange dois dias antes e dois dias depois do eclipse, para permitir comparações temporais robustas.
"É uma experiência única", afirmou Paulo Cortez ao descrever a operação no terreno.
Além da observação direta em Montesinho, o trabalho integra uma investigação mais alargada que recorre também a dados de satélite, incluindo estudos sobre o comportamento de lobos no Gerês e de linces. Para os habitantes da região, isso traduz-se numa presença reforçada de cientistas e equipamento técnico em áreas de proteção natural e na possibilidade de aceder a eventos divulgativos em Bragança.
- Local de estudo: zona entre Rio de Onor e Guadramil, Parque Natural de Montesinho.
- Instrumentos: gravadores acústicos e equipamentos de imagem.
- Período de observação: dois dias antes, dia do eclipse e dois dias depois.
Os investigadores também promovem actividades públicas em Bragança. No dia anterior ao início das observações haverá uma tertúlia intitulada “Efeito do eclipse total do sol na fauna selvagem”, com Paulo Cortez, na Casa da Seda – Centro Ciência Viva de Bragança, entre as 17h00 e as 18h00. No dia seguinte estão previstas sessões imersivas de 25 minutos no planetário portátil, destinadas a facilitar a compreensão do fenómeno celeste para a população.
| Evento | Momento |
|---|---|
| Início do fenómeno em Montesinho | 12 às 18h34 |
| Ponto máximo (100%) | 19h31 — 26 segundos |
| Término do eclipse | 20h24 |
Para os habitantes do distrito, a iniciativa tem duas consequências práticas imediatas: a possibilidade de observação e participação em actividades científicas e culturais em Bragança, e a necessidade de respeito pelas indicações das equipas de investigação nos acessos ao Parque Natural. Quem frequentar Montesinho nos dias de observação deve contar com maior movimentação e equipamento técnico em pontos de interesse e seguir indicações de salvaguarda ambiental para não perturbar os registos.
O estudo promete acrescentar conhecimento sobre como um fenómeno celeste temporário pode influenciar comunicações acústicas e padrões de atividade de espécies selvagens, informação que pode ser útil para gestão de áreas protegidas e planeamento de ações de conservação no território transmontano.