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Caso da morte em Olhão: julgamento continua sobre ações de dois agentes da PSP

O julgamento relacionado com a morte de Aissa Ait Aissa, ocorrida em 2024 em Olhão, prossegue no Tribunal de Faro. Dois agentes da PSP estão acusados de sequestro agravado e homicídio qualificado; a versão de uma testemunha-chave deixa lacunas sobre eventuais agressões.

Caso da morte em Olhão: julgamento continua sobre ações de dois agentes da PSP
©Ilustração IA Bruno Cavaco / propagandistasocial.com

Processo em curso

O julgamento sobre a morte de Aissa Ait Aissa, cidadão de origem marroquina que esteve internado na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de Faro durante 20 dias antes de falecer, continua a decorrer no Tribunal de Faro. Estão sentados no banco dos réus dois agentes da PSP, Jorge Sousa e Pedro Barbosa, que se encontram suspensos de funções e respondem a acusações formuladas pelo Ministério Público.

Acusações e posicionamentos

O Ministério Público dirige aos arguidos dois crimes de sequestro agravado e um crime de homicídio qualificado, sustentando que os agentes terão abusado gravemente da sua autoridade. Os dois polícias negam a responsabilidade pela morte do homem, conforme tem sido declarado em audiência.

Depoimento de testemunha-chave

Uma testemunha importante no processo é Hassain Ait Rahou, de 27 anos, amigo da vítima, que foi ouvido no tribunal recorrendo a tradutor. Durante o seu depoimento, afirmou ter consumido comprimidos de Rivotril juntamente com Aissa e disse não conseguir recordar se os agentes os terão agredido.

"Estava drogado", relatou a testemunha, acrescentando que a sua última memória do amigo foi de Aissa pedir "para alargar as algemas que estavam apertadas".

Relato dos factos conhecidos

Segundo a versão apresentada, após saírem de casa os dois entram num supermercado, onde a vítima terá ocultado alguns produtos na roupa, facto que levou as funcionárias a chamar a polícia. A testemunha relatou ter sido levado com força para uma viatura policial, onde ambos teriam sido algemados atrás das costas, descrevendo a sensação de «dormir acordado» durante o trajeto.

  • Vítima: Aissa Ait Aissa, internado 20 dias na UCI de Faro;
  • Arguidos: Jorge Sousa e Pedro Barbosa (PSP), suspensos;
  • Testemunha: Hassain Ait Rahou, amigo da vítima, ouvido com tradutor.

Próximos passos no tribunal

O julgamento prossegue a 10 de novembro, às 09:15, com a audiência marcada para ouvir os pais de Aissa Ait Aissa, que se constituíram assistentes no processo. A evolução do caso terá efeitos locais significativos, tanto para a comunidade migrante como para a perceção do papel das forças policiais em situações de intervenção na cidade.

ElementoDados
VítimaAissa Ait Aissa — internado 20 dias na UCI (Hospital de Faro)
ArguidosJorge Sousa; Pedro Barbosa — suspensos da PSP
Acusações2 crimes de sequestro agravado; 1 crime de homicídio qualificado
Próxima audiência10 de novembro, 09:15 — Tribunal de Faro

A tramitação deste processo e as provas que venham a ser produzidas serão decisivas para clarificar as circunstâncias da morte e para avaliar responsabilidades, com impacto direto na confiança da população local nas autoridades e no funcionamento das forças de segurança em Olhão.

Bruno Cavaco
Bruno IA Correspondente no distrito de Faro online

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