Alteração na distribuição de meios preocupa profissionais e serviços locais
O anúncio de transferência de ambulâncias do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para as Unidades Locais de Saúde e a transformação de viaturas de Suporte Imediato de Vida em viaturas ligeiras suscitou forte reação entre os trabalhadores e sindicatos, com reflexos esperados no distrito de Viseu. A Comissão de Trabalhadores e o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) justificam a preocupação com um eventual aumento dos tempos de resposta e da pressão sobre os operadores voluntários de transporte sanitário.
Segundo o comunicado da Comissão de Trabalhadores, a proposta implicaria a retirada de 100 ambulâncias do dispositivo operacional do INEM, das quais 54 ambulâncias de emergência médica passariam para as Unidades Locais de Saúde e 46 ambulâncias SIV perderiam a capacidade de transporte de doentes.
"Não estamos perante um reforço do Sistema Integrado de Emergência Médica. Estamos perante a retirada de 100 ambulâncias do dispositivo operacional próprio do INEM"
Os trabalhadores afirmam que, na prática, a medida vai obrigar bombeiros e a Cruz Vermelha Portuguesa a assegurarem um maior número de transportes, num sistema já descrito pela Comissão como "profundamente pressionado". Isso levaria, na opinião dos profissionais, a uma aumento dos tempos de resposta, maior indisponibilidade de meios e a um risco acrescido para os utentes.
- Transferência prevista: 54 ambulâncias de emergência para ULS
- Conversão prevista: 46 ambulâncias SIV perderiam capacidade de transporte
- Total de meios afetados: 100 ambulâncias
A direção do INEM, através do seu presidente Luís Mendes Cabral, confirmou a mudança numa entrevista na RTP, mas a Comissão de Trabalhadores exige agora esclarecimentos públicos por parte da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, sobre se apoia politicamente a opção. Os trabalhadores indicaram também que, caso a ministra confirme a medida, podem pedir a substituição do atual Conselho Diretivo do INEM aquando da entrada em vigor da nova lei orgânica.
Como resposta imediata, o pessoal do INEM agendou uma assembleia geral para os primeiros dias de agosto, com vista à tomada de posição e eventual aprovação de medidas de protesto. O STEPH realçou igualmente a sua "grande preocupação", sublinhando a combinação desta decisão com a abertura a operadores privados, o que poderá agravar a demora no socorro.
| Item | Número |
|---|---|
| Ambulâncias a transferir para ULS | 54 |
| Ambulâncias SIV a perder transporte | 46 |
| Total de ambulâncias afetadas | 100 |
Para os habitantes de Viseu, a alteração anunciada coloca questões práticas: como serão garantidos os tempos de chegada em emergências médicas nas zonas rurais do distrito, quem assumirá os transportes urgentes e que impacto terá isto nas corporações locais de bombeiros e nas delegações da Cruz Vermelha? Até que haja um esclarecimento oficial por parte do Ministério da Saúde, a pressão política e sindical e as reuniões convocadas pelos trabalhadores podem influenciar o desfecho da proposta.