Fogo consumiu centenas de explorações e preocupa o futuro da agricultura local
O incêndio que deflagrou na região propagou‑se até ao concelho de Mirandela, onde arderam um total de 5.800 hectares, dos quais cerca de 1.800 hectares correspondem a área agrícola, segundo dados agora divulgados pelos autarcas. No conjunto dos concelhos de Mirandela e Vinhais os danos em olival e vinha ascendem a aproximadamente 2.000 hectares.
Os responsáveis municipais reuniram com o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, que visitou as áreas afetadas. Os primeiros levantamentos apontam que, na área agrícola de Mirandela, cerca de 80% da superfície ardida é constituída por olival, atividade que caracteriza a economia local e que agora se encontra fortemente abalada.
“O olival é o nosso maior problema, porque é a nossa maior área. Sabemos que Mirandela é uma terra de oliveiras, é um concelho olivícola e tem esse potencial e naturalmente é o mais prejudicado.”
Os autarcas exigem rapidez na operacionalização dos mecanismos de apoio anunciados pelo Governo. Segundo as regras avançadas pelo ministro, os auxílios serão pagos 100% até aos 10.000 euros, com comparticipações decrescentes até ao limite de 400.000 euros, sendo que o mínimo de cofinanciamento é de 50%. A preocupação dos agricultores e das autoridades locais centra‑se na necessidade de que esses fundos cheguem de forma célere, para possibilitar a recuperação do sistema produtivo.
- Área ardida em Mirandela: 5.800 hectares (total)
- Área agrícola afetada em Mirandela: 1.800 hectares
- Danos em olival e vinha nos dois concelhos: cerca de 2.000 hectares
- Área queimada em Vinhais: 450 hectares
| Concelho | Área total ardida | Área agrícola ardida |
|---|---|---|
| Mirandela | 5.800 ha | 1.800 ha |
| Vinhais | 450 ha | Dados parciais |
Além dos números gerais, em Vinhais já foram contabilizados perdas localizadas: arderam mais de 30 hectares de olival na freguesia de Vale das Fontes, informou o presidente do município. A extensão completa dos prejuízos agrícolas será confirmada quando terminarem as avaliações detalhadas no terreno.
Os autarcas alertam ainda para as consequências a médio prazo: zonas recentemente queimadas poderão não produzir durante vários anos, com impacto direto na rendibilidade dos olivicultores e na economia local. Há um receio crescente de que a desesperança conduza ao abandono de explorações e à perda de atividade numa região onde a agricultura é uma das principais fontes de rendimento.
Face à situação, os dirigentes locais apelam à execução célere dos instrumentos de apoio e à adoção de medidas que permitam, para além do pagamento de indemnizações, planear a recuperação dos olivais e vinhas e garantir acompanhamento técnico e financeiro que aumente a resiliência das explorações face a futuros incêndios.