Medida nacional chega a Seia com objectivo de travar prejuízos de javalis
Seia está incluída no projeto-piloto do Governo que visa incentivar o abate de javalis e foi lançado em 14 de outubro. A iniciativa, coordenada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), cobre 65 municípios do continente e dispõe de uma dotação global de 500 000 euros até maio de 2027. O anúncio surge na sequência do crescimento das populações de javali e dos danos que esta provoca em várias frentes do território.
Na justificação da medida destacam-se prejuízos na agricultura e na floresta, a maior presença da espécie em zonas urbanas e periurbanas e o aumento da sinistralidade rodoviária. Foram também invocadas preocupações sanitárias, nomeadamente a necessidade de fortalecer a prevenção da Peste Suína Africana, risco que motiva especial atenção das autoridades.
O Governo detalhou os valores dos incentivos, que diferenciam machos e fêmeas, e um apoio adicional ligado ao encaminhamento da carne para estabelecimentos credenciados:
«O incentivo é de 50 euros por macho e 70 euros por fêmea, relativamente aos exemplares contabilizados acima dessa média. Está ainda previsto um apoio adicional de 10 euros por exemplar encaminhado para um estabelecimento aprovado de manuseamento de caça, promovendo o aproveitamento da carne em condições de segurança alimentar. O apoio financeiro está limitado a 2 mil euros euros por zona de caça.»
| Tipo de incentivo | Valor |
|---|---|
| Incentivo por macho | 50 euros |
| Incentivo por fêmea | 70 euros |
| Apoio por encaminhamento para estabelecimento aprovado | 10 euros |
| Teto por zona de caça | 2 000 euros |
Para os habitantes de Seia, a medida pode traduzir‑se em várias consequências práticas. Agricultores e proprietários florestais poderão ver reduzir‑se a frequência de danos em culturas e plantações, caso o esforço de controlo da espécie seja suficiente para baixar as densidades locais. Em paralelo, a diminuição de exemplares junto a estradas pode representar menos acidentes envolvendo fauna selvagem.
O esquema também incentiva o encaminhamento da carne para unidades aprovadas, o que favorece o aproveitamento alimentar com condições de segurança. Esse pormenor é relevante para caçadores e operadores locais que queiram valorizar a carne de caça, mas implica a existência — ou acesso — a estabelecimentos com certificação para manuseamento de caça.
Como projeto-piloto, a iniciativa está limitada no tempo e no montante global. O facto de Abranger 65 municípios e de ter um plafond de 500 mil euros até maio de 2027 significa que a aplicação prática do apoio dependerá da distribuição dos meios entre zonas e da procura pelos incentivos. Em Seia, stakeholders como associações de agricultores, agrupamentos de proprietários e organismos cinegéticos serão actores-chave na operacionalização do programa.
- Seia integra um projeto coordenado pelo ICNF para reforçar o abate de javalis.
- Incentivos definidos: 50€ por macho, 70€ por fêmea e 10€ adicional se a carne for entregue em estabelecimento aprovado; limite de 2 000€ por zona de caça.
- Objectivos centrais: reduzir prejuízos agrícolas e florestais, mitigar a presença em áreas urbanas e periurbanas, diminuir sinistralidade rodoviária e reforçar a prevenção da Peste Suína Africana.
Nos próximos meses deverá esclarecer‑se como serão os mecanismos de candidatura e de contabilização dos exemplares elegíveis, e que entidades locais farão a gestão prática do apoio em Seia. Enquanto o programa estiver em vigor, agricultores, caçadores e operadores da fileira da caça deverão acompanhar a divulgação de procedimentos pelo ICNF e pelas estruturas municipais.