Recuperação parcial e efeitos locais do incêndio de 2025
Passou um ano desde o grande incêndio que começou a 2 de agosto de 2025 em Sirarelhos, no concelho de Vila Real, e que se estendeu a zonas do concelho de Mondim de Basto. A serra do Alvão mostra sinais de regeneração: os pastos voltam a verdejar e o movimento turístico começa a recuperar, mas permanecem áreas queimadas e consequências para quem vive e trabalha no território.
O fogo consumiu, até 13 de agosto de 2025, um total de 5.947 hectares da serra, dos quais 1.669 hectares pertenciam ao Parque Natural do Alvão (PNA). As manchas afetaram habitats naturais diversos — pinhais, bosques de folhosas, matos, pastagens e terrenos agrícolas — com impacto direto nas práticas tradicionais de uso do terreno.
| Indicador | Área (hectares) |
|---|---|
| Área total queimada na serra do Alvão | 5.947 |
| Área queimada no Parque Natural do Alvão | 1.669 |
Os efeitos na actividade pastoril ilustram a transformação local. Carlos Peixoto, pastor em Arnal, leva diariamente para o monte um rebanho de 75 cabras. Relata que a alimentação dos animais recuperou mas que, por vezes, o gado regressa com o pelo ainda cheio de cinza. A memória colectiva guardou imagens de quando havia cerca de 1.500 cabras espalhadas pela serra, que ajudavam a manter os matos controlados e, em consequência, a reduzir o risco de fogos.
"Agora já comem, mas à noite o gado ainda vem cheio de cinza"
As demografias locais agravam a situação. Arnal conta com menos de 10 habitantes e várias aldeias vizinhas sofreram perdas populacionais, o que diminui a capacidade de gestão do território e de manutenção dos usos agrícolas e pastorís. Alguns proprietários optaram por vender animais após o incêndio; um pastor de Galegos da Serra referiu que vendeu 25 cabras e ficou com poucas ovelhas e três burros porque o monte já não dava para todos.
Há também sinais económicos de retoma: o alojamento local «Refúgio Muas Nature» regista uma recuperação gradual de clientes, apontando para uma procura que, embora ainda condicionada, mostra confiança crescente. Contudo, a paisagem continua marcada por manchas escuras e zonas com regeneração lenta, que mantêm a vigilância e a gestão da floresta entre prioridades locais.
- Impacto ambiental: habitats naturais e pastagens severamente afetados.
- Impacto social: perda de gado, alteração de práticas e diminuição da população nas aldeias.
- Recuperação económica: turismo rural e alojamento local em lenta retoma.
Para os habitantes da região, a recuperação passa tanto por fenómenos naturais de regeneração como por medidas humanas de prevenção e gestão sustentada do território — desde a vigilância por câmaras até ao reforço de práticas pastorís que historicamente ajudaram a controlar o combustível vegetal. O balanço do primeiro ano é, portanto, misto: existe verde a reaparecer, mas as marcas do incêndio continuam a condicionar a vida e o uso da serra do Alvão.