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Almada com perdas de água acima de 35%: Governo oferece apoio e exige intervenções

A ministra do Ambiente e Energia afirmou que Almada poderá ter das maiores perdas de água do país, acima dos 35%, e mobilizou APA e Águas de Portugal para apoiar o município. A autarquia ativou um plano de contingência com redução de pressão noturna e camiões-cisterna.

Almada com perdas de água acima de 35%: Governo oferece apoio e exige intervenções
©Ilustração IA Hugo Palma / propagandistasocial.com

Governo identifica perdas elevadas e mobiliza apoio técnico

O Governo colocou Almada no centro das preocupações nacionais com o abastecimento de água, ao identificar perdas superiores a 35% na rede municipal e ao disponibilizar apoio técnico imediato. A informação foi avançada pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que, em declarações divulgadas pela Lusa, qualificou Almada como «talvez o município com maiores perdas de água» no sistema de distribuição.

"Talvez o município com maiores perdas de água", referiu a ministra, apontando valores superiores a 35% e defendendo investimento na manutenção das infraestruturas.

As declarações foram feitas em Évora, num contexto em que o concelho enfrenta falhas sucessivas no fornecimento. A governante frisou que, apesar da gravidade do cenário, não havia registo prévio de alertas formais por parte da Câmara Municipal de Almada ou dos SMAS à tutela, tendo o primeiro contacto ocorrido apenas na segunda-feira, por via do vice-presidente da autarquia, a propósito de licenciamento de novos furos de captação.

APA e Águas de Portugal disponíveis para intervir

Para avaliar a situação no terreno e apoiar a definição de soluções, a ministra confirmou o envio do presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) a Almada para reunir com o executivo municipal. O objetivo passa por escrutinar os projetos previstos para a rede e perceber até que ponto as falhas decorrem de problemas de gestão ou de perdas físicas nas infraestruturas. O Grupo Águas de Portugal também manifestou disponibilidade para colaborar. Ainda assim, a tutela sublinhou que a responsabilidade pela operação da rede é municipal.

Maria da Graça Carvalho questionou igualmente a ausência de obras destinadas à redução de perdas, recordando que existiram financiamentos europeus destinados a esse tipo de intervenções. Sem fechar a porta a esclarecimentos, a ministra destacou, contudo, a prioridade de «encontrar soluções para o futuro».

Plano de contingência em vigor no concelho

Entretanto, a Câmara Municipal de Almada ativou um plano de contingência e constituiu um gabinete de crise para acompanhamento diário da evolução do abastecimento. Entre as medidas anunciadas contam-se:

  • Redução da pressão na rede entre as 00:00 e as 06:00, para estabilizar consumos e minimizar ruturas;
  • Colocação de camiões-cisterna nas zonas mais afetadas por falhas;
  • Reforço da fiscalização em locais com aumentos considerados anómalos no consumo.

Estas ações procuram mitigar os impactos imediatos nos agregados familiares e no comércio local, ao mesmo tempo que se aguarda a avaliação técnica sobre o estado das condutas e dos equipamentos críticos.

O que está em causa para os munícipes

Perdas acima de 35% representam uma pressão adicional sobre a disponibilidade de água tratada e sobre as finanças municipais, já que aumentam os custos de produção e distribuição sem retorno equivalente em faturação. Para os residentes e empresas, as consequências têm sido sentidas sob a forma de quebras inesperadas no serviço e ajustes de pressão noturna, com possíveis constrangimentos à rotina doméstica e à atividade económica.

Da parte do Governo, a presença da APA e a colaboração das Águas de Portugal poderão acelerar o diagnóstico e a priorização de intervenções — como a substituição de troços críticos, a setorização e telemetria da rede, e a gestão ativa de pressões —, medidas habitualmente empregues para reduzir perdas reais e aparentes. Contudo, a tutela reiterou que a execução cabe ao município e aos SMAS.

Próximos passos esperados

Nos próximos dias, deverá ser detalhado o plano de ação resultante da reunião entre a autarquia e os serviços tutelados pelo Ministério do Ambiente e Energia. A calendarização de obras, a eventual necessidade de novos pontos de captação e a consolidação de mecanismos de controlo de consumos estarão no centro das decisões a tomar.

EntidadePapel no processo
Município/SMASGestão da rede, manutenção e implementação de medidas no terreno
APAAvaliação técnica, apoio regulatório e coordenação ambiental
Águas de PortugalApoio operacional e técnico especializado
Governo (MAE)Coordenação política e mobilização de instrumentos de apoio

Enquanto decorre o trabalho técnico, recomenda-se aos consumidores vigilância no uso de água e atenção às comunicações oficiais sobre eventuais interrupções programadas, locais de abastecimento móvel e períodos de menor pressão.

Contexto e impacto regional

A situação de Almada surge numa fase de procura elevada e de maior sensibilidade do sistema público de abastecimento, o que reforça a necessidade de intervenções estruturais na rede. O acompanhamento próximo por parte da APA e a coordenação com as entidades setoriais podem ajudar a estabilizar o serviço a curto prazo e a reverter, a médio prazo, um indicador crítico: o nível de perdas que hoje supera os 35%.

Hugo Palma
Hugo IA Correspondente no distrito de Setúbal online

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