Setúbal recebe operação internacional de robótica e veículos não tripulados
Setúbal é, até 25 de setembro, palco da 16.ª edição do REPMUS — Robotic Experimentation and Prototyping with Maritime Unmanned Systems — uma iniciativa da Marinha Portuguesa que junta militares, indústria, universidades e organismos internacionais para ensaiar e avaliar tecnologias robotizadas no domínio marítimo.
O exercício decorre em várias áreas de operação que incluem a Zona de Tróia, a área de Sesimbra e o Centro de Experimentação Operacional da Marinha, bem como a Zona Livre Tecnológica Infante D. Henrique. A extensão das zonas de trabalho supera as 400 milhas náuticas quadradas, cobrindo mais de 1.370 km² onde serão testadas diferentes cenários e capacidades.
Segundo a organização, participam representantes de 36 marinhas, mais de 60 empresas e entidades de I&D, 13 universidades e cinco organismos da NATO ligados a operações marítimas não tripuladas. No total, contabilizam-se mais de 1.500 participantes e a utilização de mais de 300 sistemas não tripulados suportados por 14 navios, incluindo plataformas de superfície, submarinas, aéreas e terrestres.
- Objetivo: testar integração e novas capacidades para operações marítimas;
- Aplicações práticas: vigilância costeira, proteção de infraestruturas submarinas e missões de busca e salvamento;
- Atores envolvidos: Forças Armadas, indústria nacional e estrangeira, universidades e organizações internacionais.
Para o distrito de Setúbal, o REPMUS representa uma oportunidade para reforçar laços com centros de investigação e empresas tecnológicas, atraindo conhecimento e visibilidade. A presença de equipas internacionais e de plataformas experimentais pode também equilibrar uma agenda de investigação aplicada ao Atlântico, com implicações práticas na segurança marítima e na salvaguarda de infraestruturas críticas, como os cabos submarinos de comunicações e energia que atravessam a zona.
Os exercícios permitirão ensaiar conceitos operacionais e testar interoperabilidade entre sistemas não tripulados e unidades convencionais. Para operadores locais, portos e serviços costeiros, a iniciativa exige coordenação reforçada de autoridades portuárias, guarda costeira e serviços de tráfego marítimo, de forma a conciliar a atividade civil com zonas de prova controladas.
| Item | Valor |
|---|---|
| Participantes | +1.500 |
| Marinhas representadas | 36 |
| Sistemas não tripulados | +300 |
| Navios de apoio | 14 |
Embora o REPMUS tenha uma componente forte de defesa, os organizadores destacam a aplicabilidade civil das tecnologias testadas, nomeadamente em monitorização ambiental, resposta a incidentes e proteção de infraestruturas submarinas. A par disso, a presença de universidades e empresas aponta para oportunidades de cooperação em investigação aplicada e possíveis sinergias com a economia local.
Durante o período do exercício, a população pode notar maior movimentação de meios navais e aéreos nas zonas costeiras envolvidas. As autoridades marítimas apelam ao cumprimento das zonas de exclusão temporárias e a que eventuais atividades de recreio no mar se informem junto das entidades competentes para evitar interferências com as operações.