Plano de adaptação climática acelera em Beja
Beja vai avançar com um conjunto de intervenções urbanas para reduzir o impacto das ondas de calor e criar um verdadeiro refúgio climático na cidade. O protocolo foi assinado esta terça-feira, no âmbito do programa Pro Nat.Urbe — Ação para a Resiliência e Restauro da Natureza em Áreas Urbanas — numa cerimónia presidida pela Ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho. A cidade do Baixo Alentejo é um dos casos-piloto, escolhida pelo agravamento das temperaturas no verão e pela vulnerabilidade de uma população envelhecida.
Os indicadores de partida são desafiantes: em Beja, os termómetros ultrapassam com frequência os 40 graus durante o estio e a cobertura arbórea ronda apenas 2%, um valor cinco vezes abaixo da referência europeia. O objetivo agora é aumentar a resiliência térmica, com mais sombra, mais água e mais natureza a refrescar o espaço público.
Quatro eixos de intervenção
Com um investimento total de 2,5 milhões de euros, o plano estrutura-se em quatro linhas: requalificação de parques urbanos, reforço e criação de áreas verdes e ativação de uma rede de abrigos climáticos. A aposta maior concentra-se no Jardim Público de Beja, onde serão replantadas árvores, ampliadas áreas ajardinadas, criadas novas zonas de sombra e reabilitados lagos e espelhos de água, num pacote orçado em cerca de 2 milhões de euros.
- Requalificação do Jardim Público com sombreamentos e reintrodução de elementos de água;
- Plantação de 270 árvores em ruas, praças e jardins por toda a cidade;
- Valorização do corredor verde de 2,5 km que acompanha a linha de água entre a Quinta d’El Rei, o Bairro da Conceição e o Pelame (barranco do Poço dos Frangos);
- Criação de uma nova bolsa verde para aumentar a permeabilidade e o conforto térmico no tecido urbano.
| Dado | Valor |
|---|---|
| Investimento total | 2,5 milhões € |
| Jardim Público (principal intervenção) | ~2 milhões € |
| Árvores a plantar | 270 |
| Cobertura arbórea atual | 2% |
| Corredor verde | 2,5 km |
Declarações e metas
Na apresentação, o presidente da Câmara de Beja, Nuno Palma Ferro, sublinhou a necessidade de virar a página nas respostas às alterações do clima urbano e de experimentar soluções que possam escalar para todo o concelho. Em declarações feitas na cerimónia, o autarca referiu a urgência de planear a cidade a longo prazo:
“pouco tem sido feito nos últimos anos” e é preciso “testar” medidas agora para “pensar no futuro, nas próximas gerações e na sua qualidade de vida”
O edil assinalou ainda que, apesar de Beja ser um território quente, o município quer preparar-se para enfrentar verões mais extremos. Por seu turno, a Ministra do Ambiente lançou um desafio para que o processo avance com celeridade, assinalando o caráter prioritário das intervenções.
Impacto esperado para quem cá vive
Para residentes e comerciantes, o reforço da infraestrutura verde poderá reduzir a temperatura média nas zonas mais expostas, melhorar o conforto térmico nas horas críticas e incentivar a permanência em espaços ao ar livre. As novas árvores e áreas sombreadas podem diminuir a reflexão térmica do alcatrão e do betão, ao mesmo tempo que os espelhos de água reintroduzem amenidade climática e biodiversidade de proximidade.
Na malha urbana, o incremento de cobertura vegetal contribuirá para mitigar efeitos como as ilhas de calor, melhorar a infiltração de águas pluviais e criar rotas mais frescas para a circulação pedonal. O aproveitamento do corredor verde entre a Quinta d’El Rei, o Bairro da Conceição e o Pelame liga bairros, valorizando margens e linhas de água e proporcionando uma alternativa de mobilidade suave com sombra natural em dias de maior exigência térmica.
O que muda no quotidiano
A execução das obras deverá implicar intervenções faseadas em parques, ruas e jardins. A circulação e o usufruto de alguns espaços poderão sofrer condicionamentos temporários, mas o município aponta ganhos duradouros: mais sombra nas praças, percursos pedonais mais confortáveis e espaços de estadia com água e vegetação. A plantação de 270 árvores distribuir-se-á por vários pontos da cidade, procurando equilibrar bairros com menor cobertura e artérias com maior exposição solar.
Com o verão a intensificar-se e as máximas a rondarem valores muito elevados, este investimento público coloca a adaptação climática no centro da agenda local. A expectativa é que a transformação do Jardim Público de Beja funcione como âncora do projeto, demonstrando no terreno os benefícios de soluções baseadas na natureza e apontando o caminho para futuras expansões a todo o concelho.