Retoma das intervenções arqueológicas e objetivo de visitação
Estão novamente em curso trabalhos de campo no povoado fortificado localizado no concelho de Beja, um sítio com cerca de três mil anos que vem sendo objecto de investigação desde 2008. Após uma interrupção nas escavações decretada em 2021 — período em que os trabalhos laboratoriais e de gabinete permitiram estudar a vasta colecção acumulada — o projecto entra numa nova fase que decorrerá entre 2026 e 2029.
O novo responsável científico é o arqueólogo Nelson J. Almeida, docente na Universidade de Évora e investigador integrado na UNIARQ — Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa, com laços também à Universidade Complutense de Madrid e ao Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology, em Leipzig. Almeida tem colaborado, ao longo do tempo, com o Projeto Arqueológico do Outeiro do Circo.
«aumentar a área de escavação junto a um troço da muralha»
A Câmara Municipal de Beja anuncia que pretende ampliar a área de intervenção junto a um troço da muralha, com o objectivo explícito de criar condições para a futura visitação do sítio. A autarquia refere ainda que vai intensificar a componente de divulgação, através da «internacionalização do projeto», traduzida numa presença mais regular em encontros científicos internacionais e em diversas iniciativas dirigidas às comunidades locais.
Equipa, financiamento e parceiros
O projecto mantém continuidade com as linhas de investigação e divulgação desenvolvidas nas campanhas anteriores, apesar da entrada de uma equipa renovada. O financiamento é assegurado pela Câmara de Beja e o projecto integra parceiros locais e institucionais.
- Período de intervenção: 2026–2029
- Responsável científico: Nelson J. Almeida
- Acervo arqueológico: cerca de 30 000 artefactos já recolhidos
- Objetivos principais: ampliar a escavação junto à muralha; preparar o sítio para visitação; reforçar divulgação internacional e local
| Entidade | Função |
|---|---|
| Câmara de Beja | Financiamento |
| Universidade de Évora / UNIARQ | Coordenação científica |
| União de Freguesias de Santa Vitória e Mombeja | Parceiro local |
| Associação O Legado da Terra e Museu Rainha Dona Leonor | Divulgação e parceria museológica |
Desde 2008, as campanhas anteriores permitiram reunir um espólio arqueológico extenso — cerca de 30 mil artefactos — que, durante a pausa, foi objecto de análise laboratorial e de gabinete. Essa investigação de base é considerada fundamental para orientar as intervenções de campo e as opções de exposição e interpretação do sítio.
Para os habitantes de Beja, a reabertura das escavações representa não só uma oportunidade de reforçar a identidade cultural local, como também possibilidades futuras de dinamização turística e educativa. A abertura de áreas junto à muralha e a intenção de preparar a visitação poderão traduzir‑se, a médio prazo, em rotas interpretativas, actividades educativas para escolas e incremento de fluxos visitativos que beneficiem comércio e serviços locais.
O projecto sublinha igualmente a importância das redes científicas: a presença de um investigador com ligações nacionais e internacionais e a participação em encontros científicos prometem aumentar a visibilidade do sítio e atrair colaborações que podem traduzir‑se em técnicas de conservação, maior capacitação para equipas locais e medidas de valorização do património.
Ao longo dos próximos anos, a calendarização das campanhas e as iniciativas de divulgação serão determinantes para o ritmo de abertura ao público e para a integração do sítio no circuito cultural do distrito de Beja.