Autarquia alerta para risco de abandono e pede ação concertada
Durante o seminário «Juntos, fazemos [a] floresta», realizado no âmbito da 34.ª edição da Expofacic, a presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, Helena Teodósio, manifestou preocupação com a dimensão demográfica da propriedade florestal e com a sustentabilidade da gestão do território no futuro próximo. A iniciativa, organizada pela OFA – Organização Florestal Atlantis e com o apoio da Navigator, do Município de Cantanhede e da INOVA‑EM, reuniu responsáveis políticos, técnicos e agentes do setor.
Teodósio salientou que os proprietários florestais estão a envelhecer e que os jovens não encaram, hoje, a exploração florestal como uma atividade económica atraente ou socialmente valorizada. Esta realidade, frisou, pode conduzir ao abandono de territórios e a problemas de gestão que afetarão a paisagem e o risco de incêndio.
“Se não houver uma renovação geracional, se não se criarem condições para que os jovens vejam na floresta uma atividade económica viável, socialmente reconhecida e ambientalmente nobre, estaremos a condenar o nosso património florestal ao abandono.”
No mesmo seminário, o secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, enalteceu a preocupação do Município com a proteção e valorização da floresta e apelou ao trabalho conjunto entre agentes para garantir que a floresta contribui para rendimento e organização da paisagem.
- Temas centrais discutidos: Biodiversidade, gestão do território e floresta de minifúndio.
- Ação necessária: políticas de incentivo à renovação geracional e medidas de valorização económica do setor.
- Apelo: cooperação entre autarquias, produtores, entidades privadas e organismos públicos.
Para Cantanhede, onde o espaço rural e florestal é parte integrante do ordenamento do território e da economia local, a falta de sucessão geracional entre proprietários implica desafios concretos: manutenção de vias e caminhos, limpeza de combustíveis vegetais, e valorização de produtos e serviços associados à floresta. A Câmara sublinhou a necessidade de envolver todos os intervenientes para construir uma visão que concilie sustentabilidade ambiental, racionalidade económica e coesão territorial.
| Entidade | Papel no seminário |
|---|---|
| OFA – Organização Florestal Atlantis | Organizadora |
| Navigator | Apoio |
| Município de Cantanhede | Parceiro e anfitrião |
| INOVA‑EM | Apoio |
A discussão realçou ainda a importância de políticas que fomentem cooperação e economias de escala no setor, sobretudo face ao fenómeno do minifúndio, muito presente na região. A mensagem conjunta dos oradores foi de que só através de um esforço integrado — envolvendo proprietários, Estado, empresas e associações — será possível assegurar que as próximas gerações encontrem na gestão florestal uma atividade viável e reconhecida.
Para os habitantes de Cantanhede, as decisões que resultarem deste debate poderão traduzir‑se, a médio prazo, em medidas concretas de apoio a proprietários, projetos de formação destinados a públicos jovens e incentivos que valorizem a floresta enquanto recurso económico e ambiental.