Anteprojeto visa devolver espaço aos peões e reforçar zonas verdes
A Câmara Municipal de Coimbra aprovou por unanimidade o anteprojeto de requalificação da praça João Paulo II — conhecida popularmente como Rotunda do Papa — que propõe reduzir o espaço dominado pelos automóveis e transformar aquela área numa «zona de permanência, contemplação e encontro». A obra está orçada em 3 milhões de euros e inclui intervenções de ordenamento viário, reforço da arborização e criação de percursos pedonais e cicláveis.
Segundo o documento apresentado na reunião do executivo, a intervenção pretende inverter a atual predominância da circulação e estacionamento automóvel, melhorando condições de conforto e sombra através da plantação de árvores e da ampliação de áreas permeáveis junto à Alta Universitária e ao Jardim Botânico.
Medidas previstas e impacto na mobilidade
O anteprojeto descreve várias medidas concretas: a centralidade do espaço será de uso pedonal, com bancos e sombra, novos atravessamentos mais diretos e uma faixa pedonal contínua junto ao Aqueduto de São Sebastião. Na rua de Tomar está prevista uma reorganização viária que inclui uma ciclovia, partilhada com peões ao longo do muro da Penitenciária, e o reforço da arborização.
- Objetivo: transformar a praça numa área de permanência e encontro.
- Investimento previsto: 3 milhões de euros.
- Intervenção complementar: requalificação de cerca de 24 hectares na margem direita do Mondego.
As alterações na circulação e estacionamento visam também facilitar o acesso a peões e ciclistas, beneficiando especialmente os residentes da Alta, os estudantes universitários e visitantes do Jardim Botânico, ao mesmo tempo que procuram combater a fragmentação paisagística e a escassez de sombra que hoje se verifica naquela zona.
Margem do rio, árvores e polémica com o 'metrobus'
Paralelamente, o executivo aprovou o anteprojeto para a intervenção na margem direita do rio, entre o Rebolim e a ponte da Portela, cobrindo cerca de 2 km de frente ribeirinha e aproximadamente 24 hectares. Também foi debatido o projeto consolidado do canal do 'metrobus' na rua Lourenço Almeida Azevedo, que sofreu um ajuste de 70 centímetros para manter o maior número possível de árvores.
| Elemento | Dado |
|---|---|
| Orçamento da praça João Paulo II | 3 milhões de euros |
| Intervenção na margem direita do Mondego | 24 hectares (~ 2 km de frente ribeirinha) |
| Árvores no troço do 'metrobus' | 88 totais; 62 mantidas; 26 alvo de abate; 2 ainda por abater |
"Num espaço de permanência, contemplação e encontro, devolvendo aos peões uma área atualmente dominada pela circulação automóvel."
O documento refere que, atualmente, a zona tem extensas áreas destinadas à circulação automóvel, reduzida presença de vegetação e fracas condições para uso pedonal. A reorganização da rua de Tomar prevê, neste contexto, maior permeabilidade do solo e a criação de percursos mais seguros para peões e ciclistas.
Para os habitantes e comerciantes locais, as mudanças poderão traduzir-se em melhores condições de fruição do espaço público e maior atractivo pedonal, mas também exigirão acompanhamento durante a fase de obra por causa de impactes no tráfego e no estacionamento. A preservação do maior número possível de árvores no troço do 'metrobus' surge como resposta às reclamações anteriores da comunidade sobre abates indiscriminados.
A aprovação do anteprojeto marca o início da fase de planeamento pormenorizado e desenhos executivos. Os tempos de execução, fases de intervenção e calendário de obras não foram detalhados no documento agora aprovado e deverão ser objecto de futuras decisões em sede municipal.
As escolhas feitas no ordenamento destas áreas centrais mostram uma tendência clara da Câmara em privilegiar a mobilidade pedonal e a qualificação ambiental do espaço urbano, com implicações directas para a circulação, o comércio e a vivência quotidiana em Coimbra.