Conflito entre república e Universidade põe em risco lar de estudantes na Alta
A república de estudantes Marias do Loureiro, localizada no Largo do Loureiro, acusou a Universidade de Coimbra de adoptar práticas de "assédio imobiliário" e de avançar com uma notificação que pode culminar no despejo das residentes. O episódio elevou tensão entre a comunidade académica e a instituição, envolvendo também outra república que funciona no mesmo edifício, a Baco.
Segundo um comunicado remetido à agência Lusa, as moradoras recordam que em 2025 tinham alertado, na reunião do executivo municipal, para o risco de despejo depois de terem sido notificadas pela UC sobre a necessidade de saída devido a problemas estruturais do imóvel. Mais recentemente, a 15 de julho de 2026, terão recebido uma nova carta, desta feita enviada pelo escritório de advogados que representa a Universidade, com a intenção de denunciar o contrato de arrendamento.
"É profundamente lamentável que uma instituição pública, cuja missão deveria assentar no diálogo, na transparência e na defesa da comunidade académica, tenha optado por substituir o diálogo por um litígio judicial".
A reitoria confirmou à Lusa que procedeu à notificação das repúblicas para desocupação, mas sublinha que tal medida foi tomada após as residentes recusarem uma proposta de saída temporária, apresentada devido a alegados riscos de segurança no edifício. A Marias do Loureiro contesta, porém, a falta de garantias e de informação técnica disponibilizada pelas autoridades académicas.
- A república afirma não ter recebido garantias de realojamento ou de retorno após obras.
- Denuncia também a interrupção no envio de contas de água e eletricidade e a recusa em receber rendas.
- As residentes referem a retirada de apoios prestados pelos Serviços de Ação Social da UC e a ausência de acesso ao relatório de vistoria realizada em abril.
O caso suscitou preocupação local por colocar em causa a continuidade de um espaço com histórica ligação a movimentos estudantis e feministas na cidade. Para além do impacto imediato sobre as moradoras, a disputa levanta questões sobre gestão de património universitário e a protecção de habitação estudantil na Alta de Coimbra.
| Data | Evento |
|---|---|
| 2025 | Reunião no executivo da Câmara com alerta para risco de despejo |
| Abril de 2026 | Vistoria ao edifício — relatório não disponibilizado às residentes |
| 15 de julho de 2026 | Notificação do escritório de advogados da UC com intenção de denúncia do arrendamento |
As autoridades municipais e os serviços académicos poderão ser chamados a intermediar a situação, dada a dimensão pública do conflito e o efeito potencial sobre outras repúblicas e estudantes. A comunidade local acompanha o desenrolar, enquanto as interessadas procuram esclarecimentos técnicos e garantias que lhes permitam planear o futuro imediato.