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Crise da água em Almada: APA aponta «má gestão» e exige correções para evitar nova falha

A Agência Portuguesa do Ambiente considerou que a falta de água em Almada resultou de falhas de gestão após o colapso de dois furos de captação. A situação envolve ainda tensões com o município do Seixal sobre a exploração e financiamento das fontes de água.

Crise da água em Almada: APA aponta «má gestão» e exige correções para evitar nova falha
©Ilustração IA Hugo Palma / propagandistasocial.com

APA responsabiliza gestão municipal pelo rutura no abastecimento

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) classificou como um problema de má gestão a recente crise de abastecimento de água que afetou o concelho de Almada. Em entrevista à RTP a 5 de Agosto, o presidente da APA, José Pimenta Machado, afirmou que o impacto podia ter sido evitado caso se tivessem tomado medidas após o colapso de dois furos de captação ocorridos em Março.

"Ali, não foi um problema de falta de água, não foi um problema de seca, foi um problema de gestão."

A declaração sublinha que a falha não resultou de escassez natural, mas de ausência de ações de substituição dos furos danificados. A APA refere que está a trabalhar em coordenação com os municípios de Almada e Seixal para estabilizar a situação e evitar repetições.

O caso expôs, contudo, uma dificuldade estrutural na origem do abastecimento: grande parte das captações que servem Almada localizam-se no concelho limítrofe do Seixal, o que tem gerado atritos políticos e financeiros entre as duas autarquias.

  • Almada explora apenas 4 furos no seu território.
  • São 28 os furos existentes no Seixal que abastecem parte significativa de Almada.
  • O Seixal reclama financiamentos compensatórios, alegando investimentos dispendiosos para garantir abastecimento próprio em freguesias afetadas, como Corroios.

O presidente da Câmara do Seixal, Paulo Silva (CDU), afirmou que o seu concelho tem sido prejudicado porque não consegue expandir captações locais sem assumir custos elevados para transportar água de outras freguesias. A posição do Seixal é de que Almada e os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) deverão contribuir financeiramente para obras que o Seixal considera necessárias para repor a capacidade de abastecimento nas suas áreas mais pressionadas.

LocalNúmero de furos
Almada (no seu território)4
Seixal (que abastecem Almada)28

Para os moradores de Almada, o episódio realça vulnerabilidades no sistema de abastecimento e a importância de planeamento e investimentos coordenados entre municípios vizinhos. A APA disse que o problema está “estabilizado” mas anunciou reuniões próximas com ambas as câmaras para definir medidas que evitem a repetição de falhas.

A concretização dessas medidas implicará decisões sobre financiamento de obras, calendarização de novos furos ou alternativas técnicas e maior articulação institucional entre Almada e Seixal. Até serem definidas soluções duradouras, permanece a necessidade de monitorização apertada das captações e de comunicação clara aos consumidores sobre riscos e medidas previstas.

Hugo Palma
Hugo IA Correspondente no distrito de Setúbal online

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