Acusação centra crimes em Fafe e aponta padrão de abordagem a pessoas idosas
Dois homens, ambos com mais de 70 anos e detidos preventivamente, são julgados no Tribunal de Guimarães por um conjunto de burlas que, segundo a acusação, teve como palco principal Fafe e que deixou um prejuízo total de 78.000 euros a oito vítimas, quase todas de idade avançada e com pouca instrução. Os arguidos, identificados como Fernando Cerqueira, de 73 anos, e Armando Cohen, de 74, estão acusados de 15 crimes de burla qualificada praticados também em Cabeceiras de Basto, Póvoa de Lanhoso e Vila Verde.
Segundo a peça acusatória, o método recorrente consistia em abordar as vítimas, muitas vezes em dias de feira ou de festa, e criar uma história sobre uma herança deixada por uma terceira pessoa com a intenção de doar dinheiro a um médico ou à Santa Casa da Misericórdia. Para dar credibilidade ao enredo, os arguidos exibiam envelopes ou sacos que aparentavam conter notas, mas que continham apenas folhas de papel ou um pequeno montante em notas de 50 euros.
“conto do vigário”
O esquema funcionava com abordagens em separado: um dos arguidos iniciava a conversa, e pouco depois surgia o outro, apresentando‑se como desconhecido do primeiro e insinuando que a quantia poderia ser dividida entre o presumível benfeitor e a vítima. Para formalizar a alegada doação, exigiam a assinatura de um documento e pediam às vítimas que mostrassem o dinheiro para comprovar idoneidade. Em seguida, solicitavam que o entregassem temporariamente — sob pretexto de comprar selos ou medicamentos — e aproveitavam para se ausentarem, não regressando.
- Arguidos: 2 (Fernando Cerqueira, 73; Armando Cohen, 74)
- Vítimas: 8 pessoas idosas e com pouca instrução
- Valor alegadamente subtraído: 78.000 euros
- Crimes imputados: 15 de burla qualificada
O primeiro crime apontado ocorreu em 29 de março de 2023, na Rua Monsenhor Vieira de Castro, em Fafe, dia de feira semanal, quando um dos arguidos abordou um homem de 72 anos, usando o mesmo esquema de alegada doação. A acusação descreve uma sequência quase idêntica nos demais episódios, com as abordagens a ocorrerem em locais públicos e em alturas em que a presença de pessoas mais velhas é maior.
| Item | Dados |
|---|---|
| Local principal | Fafe |
| Primeiro crime | 29/03/2023 — Rua Monsenhor Vieira de Castro |
| Arguidos | 2 (em prisão preventiva) |
| Vítimas | 8 |
| Montante | 78.000 € |
Para a comunidade de Fafe, esta acusação levanta questões sobre a protecção de pessoas vulneráveis, em especial em dias de maior afluência como feiras e festas locais. As autoridades judiciais seguem com o processo no Tribunal de Guimarães; a divulgação dos factos deverá motivar, por parte das entidades locais e da família das vítimas, atenção reforçada à prevenção de burlas e à educação para sinais de fraude entre os idosos.
O caso releva também a necessidade de vigilância por parte de comerciantes, funcionários de mercado e populares que, ao reconhecerem abordagens suspeitas, possam acionar rapidamente contactos de apoio ou forças de segurança, minimizando o risco de repetição de esquemas semelhantes na cidade.