Intervenção de emergência no centro histórico
A Proteção Civil de Santarém vai proceder à demolição controlada de parte do edifício que albergou a antiga sede da Associação Académica de Santarém, na Travessa das Condinhas, depois de, na manhã de 10 de julho, ter caído parte do beirado. O imóvel, situado no coração do centro histórico, apresenta um estado avançado de degradação que, segundo as autoridades locais, constitui perigo para a via pública e para edifícios vizinhos.
O coordenador municipal da Proteção Civil esclareceu que o colapso se deveu à cedência dos barrotes que sustentavam a cobertura. Devido à exiguidade do espaço e às características do edifício, a demolição será realizada de forma manual, o que prolongará os trabalhos e exigirá condicionamentos na circulação.
"Os barrotes que suportam a cobertura cederam e como o edifício fica numa rua estreita e tem habitações do outro lado, foi decidido avançar para a demolição preventiva"
Proprietário, usos e projetos falhados
O imóvel pertence à Santa Casa da Misericórdia de Santarém e há vários anos que sofre com problemas estruturais, em particular infiltrações na cobertura. A Académica de Santarém, histórico arrendatário, já tentou promover obras no edifício com apoio do município. Em 2017, o então presidente do clube, António Torres, anunciou um entendimento que incluiria um protocolo entre as partes para suportar os custos das obras. Na altura, estimou-se que as intervenções iriam rondar os 350 mil euros, mas o acordo não se concretizou e os projetos — incluindo a proposta de transformar o imóvel em residência de estudantes — nunca avançaram.
- Local: Travessa das Condinhas, centro histórico de Santarém
- Data do incidente: 10 de julho
- Propriedade: Santa Casa da Misericórdia de Santarém
- Arrendatário histórico: Associação Académica de Santarém
Impacto imediato e próximos passos
Enquanto decorrem os trabalhos, a circulação na Travessa das Condinhas estará interdita ou condicionada, medida que deverá afetar residentes, estabelecimentos comerciais e acessos a habitações na rua. A natureza manual da demolição exige cuidados especiais para evitar danos colaterais às construções contíguas, pelo que os trabalhos serão lentos e monitorizados pela Proteção Civil.
Para os moradores do centro histórico, a intervenção realça a necessidade de monitorização contínua do parque edificado, muitos dos quais partilham técnicas construtivas e idade semelhantes. A demolição preventiva pretende reduzir o risco imediato, mas deixa em aberto a questão da reabilitação de edifícios degradados e da definição de responsabilizações financeiras para intervenções futuras.
| Evento | Data / Estado |
|---|---|
| Queda parcial do beirado | 10 de julho — confirmada |
| Decisão de demolição preventiva | Imediata — demolição manual prevista |
| Estimativa de obras (2017) | ~ 350 000 euros (não executadas) |
A Câmara Municipal e a Santa Casa da Misericórdia foram, no passado, envolvidas em propostas de intervenção, com a Câmara a ponderar adaptar o prédio a residência estudantil. Até ao momento, não há confirmação pública de um novo plano para o pós-demolição ou de um cronograma que indique quando a rua voltará à normalidade.
Esta ocorrência volta a colocar no centro do debate local a conservação do património edificado e a necessidade de mecanismos claros de financiamento e responsabilidade para garantir segurança e uso sustentável dos imóveis históricos de Santarém.