Moradores do Lote 4 denunciam anos de infiltrações e risco para a saúde
Uma família residente na subcave do Bairro da Rosa, em Coimbra, saiu temporariamente da habitação depois de mais uma inundação por águas residuais. O casal, que tem um filho de cinco anos, relata que os problemas arrastam-se há mais de dez anos, com ajuntamentos de esgotos, infiltrações vindas de pisos superiores e degradação contínua do pavimento, tectos e paredes.
Segundo os moradores, as entradas sucessivas de águas de saneamento obrigaram-os a procurar abrigo em casa de familiares e a interromper rotinas básicas de habitação. A cozinha está inutilizável, com a banca estragada, canalizações degradadas e riscos elétricos identificados no espaço.
"Está a acompanhar uma situação de sucessivos entupimentos na caixa de saneamento que serve as frações do lado esquerdo do Lote 4 do Bairro da Rosa"
A Câmara Municipal de Coimbra confirma que tem acompanhado a ocorrência e que as obstruções da caixa de saneamento têm provocado o retorno de águas residuais para algumas habitações, afetando as condições de salubridade. Já foi noticiado que, durante desobstruções, foram encontrados plásticos, embalagens, roupa e outros objetos na rede.
- Uma das frações do edifício encontra-se desocupada devido à situação;
- Foram reportados constrangimentos noutras habitações do mesmo lote;
- A autarquia efetuou novos desentupimentos após tomar conhecimento da última ocorrência.
Os moradores afirmam que, ao longo dos anos, tentaram realizar intervenções por iniciativa própria, mas foram impedidos ou não obtiveram resposta suficiente por parte do proprietário/gestor do imóvel. A acumulação de humidade e os produtos de limpeza utilizados nas limpezas de emergência agravaram o desconforto e criaram condições insalubres que afetaram o sono e a saúde da família.
Do ponto de vista prático, a Câmara informou que marcou uma reunião com todos os moradores do lote 4 para esclarecer a situação e coordenar medidas de intervenção mais profundas na rede de saneamento do prédio. O anúncio público da autarquia aponta para uma ação de desobstrução imediata e para um acompanhamento regular das frações afetadas.
Para os habitantes do Bairro da Rosa, o problema reúne dimensões técnicas e sociais: além do risco sanitário causado pelo retorno de águas residuais, está em causa a qualidade do parque habitacional social e a capacidade das entidades responsáveis em realizar obras de manutenção preventiva e corretiva. A persistência de problemas há mais de uma década suscita dúvidas sobre a manutenção e gestão da infraestrutura de saneamento no edifício.
Em declarações aos órgãos locais, vizinhos também relataram queixas diversas, o que sugere que a situação não é isolada a uma única fração, mas antes um problema com impacto coletivo no lote. A intervenção prometida pela Câmara deverá clarificar responsabilidades e definir cronogramas de obras, com vista a repor condições de habitação dignas e a prevenir novas ocorrências.
Enquanto decorrem as diligências municipais, os moradores afetados exigem garantias de solução permanente e apoio temporário adequado, sobretudo para famílias com crianças. A marcação da reunião pelo Município é vista como um passo necessário, mas muitos acompanham a evolução com ceticismo, lembrando o historial de intervenções insuficientes.
| Item | Estado |
|---|---|
| Habitação afetada | Subcave do Lote 4, Bairro da Rosa |
| Moradores | Casal com filho de 5 anos (temporariamente fora da habitação) |
| Problemas reportados | Infiltrações, retorno de águas residuais, humidade, riscos elétricos |
| Ação municipal | Desentupimentos realizados; reunião marcada com moradores |