Crise de recursos humanos nos SMTUC agrava suspensão de serviços
Os Serviços Municipalizados dos Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) registaram um aumento drástico das viagens suprimidas por falta de motoristas no primeiro trimestre de 2026, segundo um documento a que a agência Lusa teve acesso. Foram contabilizadas 635 viagens não realizadas neste período, um valor que contrasta com as 37 viagens suprimidas no primeiro trimestre de 2025, correspondendo a um crescimento de 1.716,2%.
A administração dos SMTUC atribui este fenómeno à perda progressiva de motoristas ocorrida nos últimos anos e às dificuldades em repor o quadro de pessoal. No primeiro trimestre de 2026 havia, segundo o mesmo documento, 13 motoristas a menos em relação a 2025, num serviço que já enfrentava carência de tripulantes.
- Viagens não realizadas (1.º trimestre): 2025 — 37; 2026 — 635
- Redução de efectivos: menos 13 motoristas em 2026 face a 2025
- Aumento do recurso a trabalho suplementar: +31% no 1.º trimestre de 2026 face a igual período de 2025
Os SMTUC apontam também para um aumento do recurso ao trabalho suplementar e acumulam, neste primeiro trimestre, um conjunto significativo de dias de ausência que complicam a elaboração das escalas:
| Motivo | Dias registados (1.º trimestre) |
|---|---|
| Férias, compensações e tolerâncias de ponto | 3.166 |
| Greves ou plenários | 67 |
| Outros motivos | 1.682,9 |
| Férias/compensações por gozar (total) | >15.000 dias |
Face a estes constrangimentos, os SMTUC propuseram uma redução da oferta para o período de agosto e vão levar o assunto a debate no executivo municipal. A administração diz que a insuficiência de tripulantes tem-se traduzido «num aumento muito expressivo do número de viagens não realizadas» e que a situação exige respostas organizacionais e de recrutamento.
Para os utilizadores do transporte urbano, os efeitos traduzem-se em itinerários com menos frequência, horários menos cumpridos e maior incerteza em horários de ponta. A pressão sobre o pessoal restante, evidenciada pelo aumento do trabalho suplementar, pode também afetar a qualidade e a fiabilidade do serviço.
As soluções apontadas pelos SMTUC incluem a abertura contínua de procedimentos concursais para admissão, mas o documento admite que os resultados desses esforços ainda não foram suficientes para estancar a perda de recursos humanos.
Esta situação coloca o município perante a necessidade de conciliar medidas imediatas — para garantir a operação quotidiana — e estratégias de médio prazo que promovam a estabilidade do quadro de motoristas. Entre essas medidas estão, implicitamente, a gestão de férias e compensações, maior atratividade das carreiras e aceleração dos processos de recrutamento.
O tema será discutido em reunião do executivo municipal, onde espera-se que sejam apresentadas medidas concretas para evitar cortes de oferta que penalizem os passageiros, sobretudo quem depende do transporte público para aceder ao trabalho, educação e serviços essenciais.