Autarquia recusa responsabilidade e aponta historial administrativo
O Município de Gouveia e a Comissão de Baldios de Mangualde da Serra emitiram um comunicado conjunto para esclarecer a polémica sobre o estado de degradação do acesso ao Vale do Rossim a partir da EN232. As duas entidades afirmam que a conservação da via não é competência do município e descrevem a situação como «
particularmente complexa» do ponto de vista legal, institucional e financeiro.
Segundo o comunicado, a estrada tem origem na construção da barragem do Vale do Rossim, em 1950, sendo inicialmente concebida para garantir operações de manutenção e exploração da infraestrutura hidroelétrica, propriedade da EDP. A via, embora classificada como caminho florestal, acabou por servir também o tráfego turístico e de apoio às infraestruturas da área, como o parque de campismo e equipamentos promovidos pelo ICNF.
Custos e opções apontadas
Na sequência das críticas públicas que compararam a situação com intervenções noutras localidades, a autarquia destaca que essas realidades são distintas — nomeadamente o caso de Manteigas, onde a estrada intervencionada integra a rede viária municipal. A Câmara e os Baldios salientam que uma intervenção de fundo no acesso ao Vale do Rossim está estimada em mais de 600 mil euros, valor referido em comunicados sobre o assunto e que condiciona soluções imediatas.
- Partes envolvidas: Câmara de Gouveia, Baldios de Mangualde da Serra, ICNF, EDP.
- Origem da via: construção da barragem do Vale do Rossim (1950).
- Estimativa de custo: mais de 600 000 euros para intervenção estrutural.
O comunicado defende que a missão do ICNF não se limita à conservação da natureza, devendo o instituto assumir um papel activo na valorização e promoção sustentável do território, incluindo o financiamento das intervenções necessárias para garantir boas condições de acesso.
Implicações locais
Para os residentes e agentes económicos de Gouveia, a mensagem combinada da Câmara e dos Baldios implica que a resolução do problema dependerá de decisões e financiamentos de outras entidades, com impacto directo no turismo local, na segurança rodoviária e nas actividades ligadas à barragem. A existência de equipamentos promovidos pelo ICNF na área reforça a ideia de que a gestão partilhada do território tem consequências práticas sobre a manutenção das vias de acesso.
| Elemento | Referência |
|---|---|
| Ano de construção da via | 1950 |
| Propriedade da barragem | EDP |
| Estimativa de custo da obra | mais de 600 000 euros |
Até que entidade ou consórcio assuma a responsabilidade financeira e operacional pela intervenção, a via deverá manter condições que geram apreensão entre quem usa o acesso para fins turísticos ou profissionais. A clarificação feita pela Câmara e pelos Baldios acentua a necessidade de diálogo entre ICNF, EDP e entidades locais para encontrar uma solução prática e exequível.
O destino do acesso ao Vale do Rossim permanece, assim, ligado a opções de gestão interinstitucional e a disponibilidade orçamental, elementos que a população de Gouveia acompanhará de perto dada a importância do local para a economia e o lazer na Serra da Estrela.