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Gouveia aposta em vacas cachenas para reduzir risco de incêndio e gerar valor local

Projeto-piloto da Urze instala 11 vacas cachenas em 12 hectares na AIGP do Aljão, financiado pelo PRR, com horizonte de cinco anos e objetivo de replicação na região.

Gouveia aposta em vacas cachenas para reduzir risco de incêndio e gerar valor local
©Ilustração IA Teresa Figueiredo / propagandistasocial.com

Pastorícia extensiva como ferramenta de prevenção

A Urze – Associação Florestal da Encosta da Serra da Estrela lançou em Gouveia um projeto-piloto que utiliza a raça bovina cachena para reduzir a carga de combustível vegetal e, assim, diminuir o risco de incêndios em áreas florestais. A intervenção decorre numa parcela de 12 hectares integrada na Área Integrada de Gestão da Paisagem (AIGP) do Aljão e tem a duração prevista de cinco anos, com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Segundo a associação, 11 vacas estão desde há cerca de dois meses a pastar numa área vedada e equipadas com coleiras de controlo usadas por pastor vertical. A escolha da cachena justifica-se pela capacidade destes bovinos em consumir não só pastagens, mas também matos e giestas, elementos que compõem o chamado combustível florestal.

“Onze vacas estão no terreno há dois meses, numa área vedada, com coleiras de controle por pastor vertical”, disse à agência Lusa o presidente da Urze, Samuel Rebelo.

Objetivos e benefícios esperados

A Urze descreve o projeto como uma tentativa de promover o pastoreio extensivo em mosaicos florestais, com finalidades múltiplas: redução do risco de incêndio através da criação de descontinuidades no coberto vegetal, preservação da biodiversidade e produção de carne ligada ao património genético autóctone. A associação realça ainda a intenção de conciliar a produção animal sustentável com práticas de silvicultura preventiva.

  • Prevenção de incêndios: diminuição da carga de combustível vegetal;
  • Valorização económica: produção de carne de qualidade associada à raça cachena;
  • Preservação da biodiversidade: gestão extensiva dos mosaicos florestais.

O presidente da Urze defende que a aposta na pastorícia pode ser uma alternativa mais vantajosa e menos poluente do que limpezas mecânicas periódicas das faixas de gestão de combustível, que, segundo a associação, são pouco rentáveis e poluidoras.

Replicação e ligação aos baldios

Para além da parcela piloto em Gouveia, a intenção é alargar a abordagem a outras áreas. A associação prevê replicar o projeto em duas AIGP, nomeadamente em Seia, cobrindo cerca de 1.000 hectares e envolvendo dois agrupamentos de baldios entre Gouveia e Alvoco da Serra.

ParâmetroValor
Área piloto12 hectares
Número de animais11 vacas
Duração prevista5 anos
FinanciamentoPRR

Para dar visibilidade à iniciativa e permitir o contacto entre agentes locais, a Urze promoveu uma visita técnica ao terreno, destinada a representantes do setor agrícola, florestal e das estruturas de gestão do território. A ação procura também esclarecer como operacionalizar o pastoreio em áreas sensíveis e as condições necessárias para assegurar simultaneamente a proteção civil e a viabilidade económica das explorações.

Para os habitantes de Gouveia, o projeto representa uma abordagem prática à redução do risco de incêndio com impacto direto na gestão dos baldios e na economia local, ao mesmo tempo que evidencia soluções que podem ser adaptadas a outros concelhos da serra.

Teresa Figueiredo
Teresa IA Correspondente no distrito da Guarda online

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