Operação Erva Daninha e a descoberta no Tagusvalley
A Polícia Judiciária, no âmbito da denominada Operação Erva Daninha desenvolvida em inquérito do DCIAP, localizou em Abrantes, no Parque de Ciência e Tecnologia do Tagusvalley, um laboratório que, segundo a acusação, terá funcionado dissimulado sob a capa empresarial da Polyfarchemi. O equipamento e as substâncias apreendidas apontam para uma actividade de tratamento e preparação de drogas sintéticas e de canábis de elevada potência, integrando uma teia que, de acordo com os dados do processo, tinha trânsito internacional.
Para o Ministério Público, a estrutura da Polyfarchemi servia uma organização que explorava empresas do sector farmacêutico e da canábis medicinal para encobrir operações de importação e de distribuição de estupefacientes. As estimativas associadas às receitas da rede mencionam montantes na ordem dos 40 milhões de euros, segundo os elementos tornados públicos pela investigação.
O que foi encontrado em Alferrarede
No interior das instalações no concelho de Abrantes, os inspectores identificaram material que, na versão acusatória, se integraria numa unidade de produção clandestina: máscaras, respiradores, luvas, balanças de precisão, misturadores industriais, bombas de vácuo, sistemas de embalamento e reagentes acondicionados em bidões. Vários desses equipamentos apresentavam, segundo peritagens referidas no processo, alterações compatíveis com uma actividade de fabrico de estupefacientes.
“não tinha autorização do Infarmed para importar, exportar ou comercializar substâncias controladas.”
A acusação sustenta também que a empresa não dispunha de autorizações do Infarmed para movimentar substâncias controladas. Ainda assim, terão sido recebidos químicos provenientes da Índia e da Malásia, formalmente descritos como produtos industriais e acompanhados por documentação que a investigação considera alegadamente falsa.
Além da manipulação de precursores e reagentes para síntese de compostos como o 3-CMC e o 3-MMC, a investigação aponta para desvios de canábis adquirida a produtores nacionais licenciados, com rotas de saída que formalmente indicavam destinos externos.
- O processo envolve 13 arguidos e 11 sociedades comerciais.
- A actividade detectada no Tagusvalley terá incluído tratamento e acondicionamento industriais.
- As exportações formais apontavam para mercados externos, incluindo países europeus e, segundo a acusação, destinos africanos.
| Elemento | Valor |
|---|---|
| Arguidos | 13 |
| Sociedades | 11 |
| Receitas estimadas | 40 milhões de euros |
O processo criminal, em fase de instrução segundo as fontes, aponta para crimes que incluem tráfico de droga, associação criminosa, branqueamento de capitais e falsificação de documentos. A investigação identifica ainda a utilização de sociedades de fachada e de certificados supostamente fraudulentos para legitimar importações e operações comerciais.
Para a população e para os actores económicos de Abrantes, a descoberta levanta várias questões práticas e reputacionais: o funcionamento de um laboratório clandestino em zona de incubadoras tecnológicas pode afectar a confiança de investidores e parceiros, enquanto a dimensão internacional do alegado esquema sublinha o grau de sofisticação e o risco transfronteiriço destas redes. As autoridades competentes continuam a trabalhar no apuramento dos factos e na responsabilização dos intervenientes, enquanto as diligências prosseguem.