Infraestrutura visa reduzir consumo de água potável e assegurar rega de áreas verdes
O concelho de Loulé passou a dispor de uma infraestrutura considerada estruturante para a gestão da água: a nova Estação de Água para Reutilização (ApR) da ETAR de Vilamoura, inaugurada com a presença da ministra do Ambiente e Energia. O projeto, cofinanciado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), envolveu um investimento de cerca de 14 milhões de euros e a construção de uma rede de distribuição com 12 quilómetros para levar água tratada a várias utilizações não potáveis.
Os equipamentos incorporam tanques adicionais e sistemas de tratamento avançado que permitem produzir água de elevada qualidade para finalidades como a rega de campos de golfe, jardins públicos e áreas agrícolas. Segundo o executivo municipal, a unidade tem uma capacidade operacional que corresponde a aproximadamente 1000 metros cúbicos por hora, o que foi explicado como um volume equivalente, em termos anuais, ao consumo de água potável de quase 50 000 famílias.
“Está preparada para o consumo humano, embora neste momento ainda não seja necessária essa utilização.”
Foi com essa ressalva que a ministra referiu a qualidade do efluente tratado, ao mesmo tempo que anunciou a preparação de um projeto-piloto para utilização agrícola. Do ponto de vista local, o objetivo declarado é retirar a pressão sobre os recursos potáveis enquanto se assegura água para actividades económicas sensíveis à sazonalidade, nomeadamente os campos de golfe — cinco dos quais foram identificados como beneficiários diretos — e espaços verdes do concelho.
Impactos práticos para Loulé
- Redução do uso de água potável na rega de campos de golfe e jardins públicos.
- Disponibilização de um recurso alternativo para agricultura e projetos piloto locais.
- Melhoria da resiliência hídrica face à sazonalidade turística e às pressões climáticas.
O investimento pretende também responder a uma necessidade de gestão mais eficiente da água numa região com forte pressão turística e agrícola. A utilização de água de classe A para finalidades não potáveis diminui o desperdício e contribui para uma maior sustentabilidade do abastecimento municipal e das actividades económicas que mais consomem durante a época alta.
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Investimento | ~14 milhões € |
| Rede de distribuição | 12 km |
| Capacidade operacional | 1000 m³/h |
| Famílias (equivalente anual) | ~50 000 |
Para os residentes de Loulé, a obra significa menor dependência de água potável para usos de grande consumo e, potencialmente, mais segurança no abastecimento durante períodos de pico turístico. A introdução de um projeto-piloto na agricultura também pode abrir oportunidades para reduzir custos hídricos no setor e promover práticas mais sustentáveis.
A concretização operacional — calendarização da distribuição, tarifas aplicadas à água reutilizada e a eventual extensão do uso a consumo humano no futuro — dependerá agora das fases seguintes do projeto e de decisões técnicas e regulamentares a acompanhar de perto pelo município e pelos utilizadores locais.
Em termos políticos e de planeamento municipal, a nova ApR coloca Loulé numa posição de referência nacional e europeia em tratamento e reutilização de águas residuais, ao mesmo tempo que exige vigilância contínua sobre a gestão do recurso e o envolvimento dos vários setores beneficiados.