Boia da costa algarvia registou episódios contínuos entre 15 de junho e 9 de julho
A Marinha Portuguesa informou que a boia Faro Costeira, inserida na rede nacional MONIZEE do Instituto Hidrográfico, identificou duas ondas de calor marinhas ao largo de Faro, entre 15 de junho e 9 de julho. Um dos episódios foi classificado como moderado e o outro como forte, com a temperatura da superfície do mar a atingir os 26,1 °C.
De acordo com o comunicado, a boia registou uma temperatura média diária da superfície do mar de cerca de 25 °C ao longo do período referido. Estes valores refletem um aquecimento persistente da coluna superficial de água que, segundo especialistas, vem aumentando em frequência e intensidade devido ao aquecimento global.
Para a comunidade local, as implicações são práticas e imediatas: alterações na distribuição de espécies, maior stress térmico para organismos marinhos, e riscos acrescidos para actividades económicas dependentes do mar, como a pesca artesanal e a aquacultura.
- Período de ocorrência: 15 de junho a 9 de julho;
- Classificação dos episódios: um moderado e um forte;
- Temperatura máxima registada: 26,1 °C;
- Temperatura média diária (período): cerca de 25 °C.
Os efeitos locais esperados contemplam variações na disponibilidade de presas e predadores, fenómenos de branqueamento em comunidades de algas bentónicas sensíveis ao calor e maior vulnerabilidade a surtos de doenças em organismos cultivados. No caso da aquacultura, temperaturas elevadas podem reduzir a taxa de oxigenação da água e comprometer o crescimento e sobrevivência de espécies cultivadas.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Período de medição | 15/06 — 09/07 |
| Temperatura máxima registada | 26,1 °C |
| Temperatura média diária (período) | ≈ 25 °C |
| Boia | Faro Costeira (rede MONIZEE) |
As ondas de calor marinhas são episódios de aquecimento excepcionalmente prolongado da superfície do mar que podem durar dias a semanas. A monitorização contínua por parte da Marinha e do Instituto Hidrográfico permite detetar essas anomalias e informar autoridades, pescadores e operadores costeiros para que possam adoptar medidas de mitigação e vigilância.
Para os habitantes do distrito de Faro e operadores marítimos, as recomendações passam por reforçar a monitorização das capturas e dos cativeiros, reportar mortalidades incomuns às autoridades competentes e considerar ajustes temporários nas práticas de exploração quando registados episódios de elevada temperatura. As entidades científicas e de autoridade ambiental são também chamadas a acompanhar a evolução da situação e a avaliar possíveis medidas de gestão adaptativa.
Em contexto mais amplo, a ocorrência reiterada de ondas de calor marinhas representa um indicador da tendência de aquecimento dos oceanos, com consequências ecológicas e económicas que exigem respostas integradas entre instituições de investigação, autoridades marítimas e comunidades costeiras.