Vila Real deixou para trás uma imagem de cidade com oferta cultural e infraestruturas limitadas e atravessa agora um período de reafirmação como polo regional. Em debate público sobre os 50 anos do Poder Local, os ex-presidentes e atuais responsáveis locais destacaram intervenções estruturais que mudaram o quotidiano e colocaram o concelho numa nova centralidade.
Transformações que moldaram a cidade
Os intervenientes sublinharam factores tangíveis dessa mudança: o crescimento do ensino superior, a melhoria de redes públicas, investimentos sanitários e a atração de novos projectos empresariais. Entre os indicadores referidos está a evolução da cobertura do saneamento, que passou de 63% para 87%, e o aumento do corpo estudantil da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) em cerca de 1 500 alunos.
"Quando queríamos desenvolver uma atividade cultural, era muito difícil. Não tínhamos um teatro"
O testemunho recorda uma cidade em que os estudantes iam a pé até ao campus e dependiam de transportes colectivos escassos. Hoje, a UTAD acolhe milhares de alunos e a oferta cultural e desportiva expandiu-se, acompanhada por novos equipamentos e projectos para reduzir a pressão sobre a circulação urbana.
- Mobilidade: estão em conclusão estudos e projectos para ligar a Avenida 1.º de Maio à ponte metálica e para criar uma circular externa entre Mateus, a IP4, a A4 e a zona empresarial.
- Emprego e investimento: nova área empresarial com 80 lotes na primeira fase e previsão de 56 lotes para a segunda etapa; primeira fase atraiu 178 manifestações de interesse.
- Saúde e serviços: surgiram dois hospitais privados, ampliando a oferta médica no concelho.
O Túnel do Marão foi referido como um elemento decisivo na afirmação de Vila Real como um nó de ligação: resumido na ideia de que a cidade ocupa agora uma posição estratégica entre o Interior e o Litoral.
| Item | Valor |
|---|---|
| Cobertura de saneamento | 63% → 87% |
| Aumento de alunos na UTAD | ≈ 1 500 |
| Lotação na 1.ª fase da área empresarial | 80 lotes |
| Manifestações de interesse (1.ª fase) | 178 |
Os responsáveis locais admitem que o crescimento acarreta novos desafios, sobretudo na circulação rodoviária e na necessidade de espaços residenciais e de transporte para estudantes e trabalhadores. A pressão sobre as infraestruturas exige soluções que conciliem desenvolvimento económico com qualidade de vida.
Num horizonte imediato, a concretização das obras de ligação interna e da circular externa será determinante para mitigar os efeitos do aumento populacional e do tráfego associado às actividades académicas e empresariais. A segunda fase da área empresarial será um teste à capacidade do concelho para transformar manifestação de interesse em projectos concretos que gerem emprego local.
Os factos apresentados na mesa-redonda formam um quadro claro: Vila Real evoluiu de uma cidade com escassez de equipamentos para um actor regional com projectos estruturantes, mas enfrenta agora o desafio de consolidar esse crescimento de forma sustentável e inclusiva.