Mortandade e investigação em lagoas urbanas
Autoridades de Londrina reportaram, nas últimas semanas, a presença de cardumes mortos no Lago Igapó 1 (zona sul) e no Lago Norte (região norte). Técnicos da Sema recolheram amostras de água que foram enviadas ao IAT (Instituto Água e Terra) para análise, enquanto inspeções no terreno foram agendadas para localizar eventuais pontos de lançamento clandestino de esgoto.
Medidas e parâmetros solicitados
Entre os pedidos feitos pela Sema constam análises físico‑químicas destinadas a avaliar a carga orgânica poluidora: nomeadamente a DBO (Demanda Bioquímica de Oxigénio), a DQO (Demanda Química de Oxigénio) e a medição do oxigénio dissolvido, parâmetro essencial à vida aquática. A devolução inicial do protocolo por parte do IAT ocorreu devido à ausência de indicação clara dos parâmetros a analisar, tendo sido pedido novo encaminhamento.
Declarações das autoridades
“Tudo indica para despejo ilegal de esgoto nos lagos novamente.”
Foi assim que Gilmar Domingues, chefe da Sema, caracterizou a situação, sublinhando que a mortandade reportada é incomum para a época do ano e que as chuvas recentes, em tese, deveriam contribuir para manter níveis de oxigénio mais elevados na água. Domingues relatou ter recebido imagens de peixes a procurar ar na superfície, sinal de oxigénio dissolvido muito baixo.
- Locais afetados: Lago Igapó 1 e Lago Norte (Londrina).
- Ações tomadas: recolha de amostras pela Sema e envio ao IAT; vistorias programadas, incluindo com a Sanepar.
- Parâmetros pedidos: DBO, DQO e oxigénio dissolvido.
| Local | Ação |
|---|---|
| Lago Igapó 1 | Recolha de amostras; vistoria programada |
| Lago Norte | Recolha de amostras; vistoria já efetuada |
A Sema informou que continuará a fiscalizar possíveis lançamentos dia a dia, uma vez que os sinais observados — mortalidade e comportamento dos peixes — apontam para uma redução do oxigénio dissolvido que não se explica apenas pelas condições meteorológicas locais.
Implicações e interesse local
Embora os factos ocorram em outra cidade, o episódio é relevante para residentes de Lagos porque salienta vulnerabilidades comuns às massas de água urbanas: descargas clandestinas, necessidade de monitorização contínua e a importância de sistemas de tratamento e fiscalização eficazes. A rápida identificação de alterações nos parâmetros da água e a resposta coordenada das autoridades são determinantes para limitar impactos ambientais e sanitários.
As autoridades municipais e entidades gestoras de infraestruturas de água em Lagos poderão considerar o caso de Londrina como um lembrete da importância de protocolos claros de amostragem, de comunicação entre órgãos técnicos e de meios de fiscalização capazes de identificar e travar descargas não autorizadas antes que provoquem episódios de mortandade e degradação ambiental.