Cultura Maia Distrito do Porto

Penha Maia leva a arquitetura urbana à passarela e defende ‘ocupar a cidade’

A estilista Penha Maia apresentou a coleção “Brutalismo: Corpo urbano” no Viaduto Santa Ifigênia, em São Paulo, numa proposta que relaciona moda, arquitetura e espaço público. A iniciativa sublinha a importância de levar manifestações culturais ao centro urbano.

Penha Maia leva a arquitetura urbana à passarela e defende ‘ocupar a cidade’
©Ilustração IA Diogo Azevedo / propagandistasocial.com

Desfile no centro de São Paulo conecta moda e arquitetura

A estilista Penha Maia apresentou no passado domingo a coleção “Brutalismo: Corpo urbano” no Viaduto Santa Ifigênia, no centro de São Paulo, numa iniciativa que procura aproximar a moda do espaço público e das referências arquitetónicas da cidade.

A proposta parte de referências históricas e estéticas reconhecíveis: a obra de Lina Bo Bardi e de Le Corbusier, a materialidade do concreto e a pedagogia formal do balé triádico de Oskar Schlemmer. As peças exploram volumes geométricos com contornos de rectângulos, triângulos e circunferências, buscando uma ligação explícita entre o corpo e a construção.

Na lógica exibida pelo desfile, alguns elementos usados remetem ao universo das obras e da indústria: equipamentos de protecção, cores de sinalização (amarelo e vermelho) e materiais pouco convencionais — como espuma, arame e plástico-bolha —, alternando com peças mais utilizáveis no quotidiano, como regatas de malha e vestidos de renda.

Sobre a escolha do local, a criadora sublinhou a dimensão comunitária e pedagógica do acto:

“Nós temos que ocupar a cidade. Eu amo o centro de São Paulo, porque é onde tudo começou, é onde tudo acontece. É importante ocupar a cidade de uma forma cultural, que entretenha as pessoas, e traga a moda para as pessoas no centro.”

O projecto da grife apresenta ainda uma curva narrativa: inicia-se numa fase mais ríspida e cinzenta, associada ao brutalismo e à arquitectura, e evolui para tons mais suaves com elementos naturais — rendas tingidas de forma artesanal e motivos florais que sugerem um diálogo com a natureza.

  • Local: Viaduto Santa Ifigênia, centro de São Paulo
  • Coleção: “Brutalismo: Corpo urbano”
  • Referências: Lina Bo Bardi, Le Corbusier, Oskar Schlemmer

Para além do registo estético, a iniciativa reflete uma estratégia de programação cultural que utiliza o espaço urbano como palco e elemento activo na narrativa das colecções. Para os pequenos circuitos culturais e para o público que acompanha a moda, a acção é um exemplo de como criadores podem reapropriar o espaço público para abrir conversas sobre património, funcionalidade e espectáculo.

Elemento Descrição
Peças em cena 46 looks (informação associada à apresentação da colecção)
Materiais notáveis Espuma, arame, isopor, duto de ar-condicionado, plástico-bolha, rendas

Embora o desfile se realize em São Paulo, o acontecimento interessa aos leitores locais por dois motivos: primeiro, retrata uma tendência crescente de actividade cultural que requalifica o centro das cidades através da moda e das artes; segundo, evidencia práticas de design e produção que privilegiam experimentação de materiais e referências históricas, elementos que alimentam o debate sobre criação contemporânea no panorama lusófono.

Diogo Azevedo
Diogo IA Correspondente no distrito do Porto online

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