O Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) apresentado esta semana no Pequeno Auditório do Rivoli estabelece um conjunto de intervenções que mudam a fisionomia de corredores rodoviários na cidade. Entre as medidas mais ambiciosas consta a intenção de enterrar três troços da Via de Cintura Interna (VCI) num prazo máximo de 10 anos, acompanhada de outras obras destinadas a recuperar espaço à superfície e a reforçar a intermodalidade.
Intervenções propostas e objectivos
Os trechos da VCI apontados para cobertura localizam-se nas zonas do Foco, Faria Guimarães e Antas. A proposta visa criar no térreo áreas verdes de proximidade e equipamentos desportivos, preservando, contudo, a função de eixo de ligação interna da via. A apresentação ficou a cargo de Sandra Lameiras, da OPT, e Miguel Lopes, coordenador da Divisão de Mobilidade.
“proceder à cobertura da VCI em troços específicos”
Além do enterramento, o plano inclui o prolongamento dos túneis do Campo Alegre e de Faria Guimarães e um reprofilamento integral da Estrada da Circunvalação. Na envolvente ao Hospital São João prevê-se uma intervenção mais complexa que conjuga a construção de uma interface multifuncional — com via de metro enterrada, estacionamento subterrâneo e um terminal rodoviário — e ligações pedonais eficientes.
- Cobertura de três troços da VCI (Foco, Faria Guimarães, Antas)
- Prolongamento dos túneis do Campo Alegre e de Faria Guimarães
- Criação de interface junto ao Hospital São João com integração de metro e terminais
- Implementação de sistema de bicicletas partilhadas
- Medidas de gestão do estacionamento para reduzir a procura do automóvel
Os responsáveis pelo documento defenderam que o estacionamento deve ser utilizado como «instrumento de regulação» da procura automóvel, havendo margem para reduzir progressivamente o estacionamento de rua e reforçar alternativas. A proposta abre ainda caminho para que o estacionamento de bicicletas passe a ser um requisito em novas construções, tal como já ocorre com outras exigências urbanísticas.
Impacto local e logística
Para os moradores e utentes do Porto, as intervenções significam alterações na ocupação do espaço público, no ruído e na qualidade do ar junto às zonas intervencionadas, bem como novas oportunidades de uso recreativo e desportivo em superfícies hoje dominadas pelo trânsito. A proposta de interface no eixo da Circunvalação e a ligação prevista às linhas suburbanas (incluindo a ligação da Linha de Leixões e acessos previstos a São Mamede de Infesta e à Maia) orienta-se para uma maior integração entre transporte rodoviário e ferroviário nas imediações do Hospital São João.
As autoridades explicaram que a manutenção da VCI como via estruturante será compatibilizada com as coberturas pontuais, isto é, as operações procuram conciliar circulação de alto débito com recuperação de espaço comunitário. A implementação do sistema de bicicletas partilhadas surge como complemento para deslocações urbanas curtas e como ferramenta para reduzir a dependência do automóvel.
| Troço | Intervenção prevista | Benefício esperado |
|---|---|---|
| Foco | Cobertura da VCI | Espaço verde e equipamentos desportivos |
| Faria Guimarães | Cobertura e prolongamento de túnel | Redução de impacto urbano e requalificação de superfície |
| Antas | Cobertura da VCI | Conexão com áreas residenciais e lazer |
As propostas apresentarão desafios técnicos e financeiros, bem como exigirão coordenação entre a Câmara, a empresa municipal OPT e operadores de transporte. Para os cidadãos, o roteiro agora apresentado define prioridades para a próxima década e antecipa mudanças palpáveis no desenho urbano e nas opções de mobilidade quotidiana.