Espetáculo chega ao Teatro Diogo Berna e reforça estratégia cultural do concelho
O Município de Ponte de Lima apresentou a produção 'Quem vai ao mar', integrada no projeto Boca Aberta, desenvolvida em parceria com o Teatro Nacional D. Maria II e criada pelo Coletivo Amargo, com coprodução do próprio Teatro Nacional. A iniciativa enquadra-se na estratégia municipal que assume a cultura e a educação como dimensões estruturantes do desenvolvimento do concelho e visa garantir o acesso precoce das crianças à criação artística.
Na prática, o projeto tem levado espetáculos aos jardins de infância do concelho e promovido formação dirigida a educadores, artistas e outros profissionais que trabalham com a infância, aproximando escolas, famílias e equipamentos culturais. Segundo a comunicação do Município, esta ação pretende reconhecer as crianças como públicos culturais de pleno direito e fomentar a participação e o sentimento de pertença à oferta cultural local.
“capacitação do território na área artística, através do desenvolvimento de propostas culturais dirigidas aos públicos mais jovens, com o objetivo de os atrair e fidelizar às estruturas culturais do concelho. Pretende-se, assim, incentivar a participação da comunidade local, promover a criatividade e o empreendedorismo e reforçar a sensibilidade para as artes, reconhecendo o seu papel fundamental no desenvolvimento humano”.
O espetáculo, dirigido a crianças a partir dos 3 anos e às suas famílias, voltou a subir ao palco do Teatro Diogo Berna. A narrativa, centrada nas aventuras no mar, aborda de forma lúdica temas como o medo e a coragem, sublinhando que coragem não é ausência de medo e que a presença de outra pessoa pode ser decisiva para superar receios.
Um dos desdobramentos mais relevantes desta parceria é a constituição do próprio Coletivo Amargo. Fundado em Ponte de Lima em janeiro de 2026, o coletivo resulta da experiência acumulada pelo Boca Aberta e assume agora um papel autónomo na criação artística local, oferecendo continuidade ao trabalho dirigido à infância no concelho.
No terreno, o projeto realizou 20 sessões nos Jardins de Infância do concelho, que tiveram início no dia 20 de outubro. Estas sessões fazem parte de um calendário de proximidade que visa levar espetáculos diretamente às instituições educativas e alargar o alcance da programação cultural municipal.
Impactos locais e perspetivas
Para a comunidade de Ponte de Lima, a iniciativa traduz-se em benefícios concretos:
- Acesso direto da infância à criação artística, sem barreiras de deslocação;
- Formação e capacitação de profissionais locais (educadores, artistas);
- Criação e manutenção de uma estrutura artística local — o Coletivo Amargo — capaz de projetar iniciativas futuras no concelho;
- Reforço da programação do Teatro Diogo Berna como espaço de referência para a infância e família.
Estes elementos colocam a cultura como componente ativa da política educativa do município, com efeitos esperados na consolidação de hábitos de fruição cultural desde cedo e no estímulo à criatividade e ao empreendedorismo nas camadas mais jovens.
| Elemento | Dados |
|---|---|
| Número de sessões nos JI | 20 |
| Início das sessões | 20 de outubro |
| Idade mínima recomendada | 3 anos |
| Estrutura local criada | Coletivo Amargo (fundado em janeiro de 2026) |
O reforço da oferta cultural para a infância e a existência de um coletivo local com capacidade de produção implicam, para os residentes e famílias de Ponte de Lima, mais oportunidades de contato com as artes e maior previsibilidade na oferta cultural dirigida aos mais novos. Para além do espetáculo em si, o modelo de intervenção — que articula apresentações, formação e trabalho com equipamentos educativos — cria uma base para iniciativas futuras e para o envolvimento continuado de agentes locais.
Do ponto de vista institucional, a cooperação com o Teatro Nacional D. Maria II e a transposição da experiência para uma estrutura local autónoma constituem um caminho para a sustentabilidade das ações culturais no concelho. A continuidade e o impacto desta estratégia dependerão da manutenção de recursos e de políticas que integrem a cultura nas prioridades de desenvolvimento local.