A Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIMRC) manifestou ontem, durante o conselho intermunicipal realizado em Cantanhede, fortes críticas à operação da ERSUC – Resíduos Sólidos do Centro, apontando falhas recorrentes na recolha de resíduos que estão a deixar contentores e ecopontos cheios e a obrigar municípios a intervir diretamente.
Autarcas relatam problemas persistentes e falta de resposta
O presidente da Câmara de Góis, Rui Sampaio, descreveu a situação como “inenarrável” e alertou para o aumento da população flutuante que tem provocado um acréscimo de resíduos. Segundo o autarca, o município reporta os problemas diariamente, mas quase não obtém respostas da concessionária. Em pelo menos um caso, o esclarecimento só foi dado nove dias após a denúncia.
“A situação é inenarrável. Num período em que há um aumento exponencial da população flutuante, que há muito mais resíduos para recolher, os contentores ficam rapidamente cheios e a ERSUC não está a recolher com a regularidade habitual.”
O presidente da Câmara da Mealhada, António Jorge Franco, afirmou que o problema se agravou: o vidro, refere, “não é recolhido desde maio” e o município tem vindo a assumir a recolha desses resíduos junto dos contentores. Também os responsáveis autárquicos da Lousã e da Coimbra partilharam preocupações semelhantes, apontando falta de pessoal e incumprimento dos horários de recolha.
Concessão e exigência de fiscalização
A ERSUC é detida pela EGF, do grupo Mota‑Engil, e garante o tratamento e a recolha de resíduos em 36 municípios dos distritos de Coimbra, Aveiro e Leiria. Os autarcas presentes defenderam que, além de reclamações diretamente à concessionária, deve ser acionada a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), para que haja fiscalização e conhecimento das falhas na prestação do serviço público.
- Municípios afetados referidos: Góis, Mealhada, Lousã, Coimbra e Cantanhede.
- Problemas apontados: contentores/ecopontos cheios, recolhas irregulares, falta de pessoal.
- Reação municipal: algumas câmaras ou empresas municipais têm vindo a substituir a ERSUC para evitar acumulação de resíduos.
| Município | Problema relatado | Resposta local |
|---|---|---|
| Góis | Ecopontos cheios; falta de recolha regular | Denúncias diárias; sem resposta atempada |
| Mealhada | Vidro sem recolha desde maio | Município tem recolhido resíduos |
| Lousã | Contentores cheios | Partilha das mesmas queixas |
| Coimbra | Contentores cheios; falta de pessoal | Reclamações em curso |
| Cantanhede | Algumas substituições da ERSUC por empresa municipal | Empresa municipal interveio para recolhas |
Para os habitantes da região, as consequências traduzem‑se em risco acrescido para a salubridade dos espaços públicos e no incómodo diário da acumulação de resíduos. A chamada dos autarcas à ERSAR pretende incentivar uma intervenção regulatória que clarifique se a concessionária está a cumprir os termos do contrato e, se for o caso, que imponha medidas corretivas. Até lá, alguns municípios mantêm operações suplementares para minimizar o impacto imediato junto da população.
Seguir‑se‑á a expectativa sobre as respostas formais da ERSUC e da ERSAR às queixas levantadas no conselho intermunicipal.