Parque Urbano acolhe vila medieval com melhor circulação e conforto
Durante quatro dias, o Parque Urbano transformou-se numa vila medieval onde dezenas de feirantes de várias regiões do país montaram bancas com espadas, trajes de época, peças em couro e artesanato. A mudança do recinto, comparada ao local anterior, foi maioritariamente elogiada pelos participantes pela proximidade entre as bancas, pelo conforto e pela facilidade de circulação.
Feirantes contactados destacaram que a nova disposição torna a oferta mais coerente e acessível aos visitantes, potencialmente prolongando o tempo de permanência no espaço e facilitando a compra de artigos tradicionais. A avaliação positiva centra-se tanto na logística como na componente estética do espaço, que os profissionais consideram mais convidativa.
Dúvidas sobre impacto da entrada paga
Ao mesmo tempo, persiste uma preocupação comum: a introdução da entrada paga este ano pode reduzir o fluxo de público e afectar as vendas. Vendedores e artesãos admitem que o bilhete de acesso alterará o perfil e o número de visitantes, sobretudo entre aqueles que costumam deslocar-se espontaneamente e sem grande planeamento financeiro.
“Ainda há quem desvalorize o trabalho por considerar que se trata apenas de ‘fantasias e fatos de Carnaval’”,
afirmou Alice Sousa, de 19 anos, que integra a associação Metamorphosys e percorre feiras em Portugal e Espanha com a mãe a vender e alugar trajes medievais. Natural de Óbidos, a jovem explicou que cada peça representa muitas horas de trabalho artesanal e que o reconhecimento do público é essencial para a sustentabilidade da actividade.
- Vantagens apontadas: maior proximidade entre bancas, melhor circulação, ambiente mais acolhedor.
- Preocupações: efeito da entrada paga na afluência e nas vendas, menor visibilidade para artesãos menos conhecidos.
- Experiência dos feirantes: participação de longa data por associações como Metamorphosys e projectos familiares.
Também a artesã Bruna Moreira, de 44 anos, natural de Coimbra e membro do projecto familiar Fazemos Nós, considerou o Parque Urbano “muito mais acolhedor” e elogiou o aproveitamento do espaço. Contudo, deixou a mesma reserva quanto ao novo modelo de bilhética, que pode condicionar o fluxo habitual de visitantes.
| Elemento | Comentário |
|---|---|
| Recinto | Parque Urbano — espaço mais compacto e organizado |
| Duração | 4 dias |
| Principal preocupação | Impacto da entrada paga nas vendas |
Para a cidade de Tomar, a reconfiguração do espaço da Festa Templária pode representar um ganho em imagem e experiência turística. A longo prazo, o balanço depende, porém, da capacidade dos organizadores e das entidades locais em garantir que a bilhética não afaste os visitantes tradicionais e que se promovam medidas para apoiar os feirantes, sobretudo os que dependem das vendas sazonais.
Os habitantes e visitantes aguardam agora o desenvolvimento dos números de afluência e das receitas das bancas para avaliar se a alteração do local e a introdução da entrada paga se traduzirão em maior qualidade de evento sem prejuízo para a economia local ligada ao artesanato e às actividades temporárias.