Vários doentes internados no Hospital Distrital de Santarém têm relatado problemas na qualidade das refeições servidas desde que a cozinha do estabelecimento foi encerrada para obras e a confeção passou a ser assegurada em instalações externas. As queixas incluem comida com sabor alterado, peixe com indícios de congelação prolongada e acompanhamentos reduzidos.
A Unidade Local de Saúde (ULS) da Lezíria confirmou que, por causa da deslocação da confeção para fora do hospital, existe menor proximidade no acompanhamento directo do processo. Em comunicado, a administração afirmou que mantém um sistema de controlo e avaliação permanente, executado pelas equipas de nutrição e de gestão hoteleira, e que ao longo do último ano fez mais de 200 avaliações de satisfação junto dos doentes.
“Limita parte do acompanhamento directo do processo”, referiu a ULS sobre a confecção em instalações externas.
Apesar destas garantias institucionais, vários utentes descrevem situações que consideram inaceitáveis para um contexto hospitalar. Entre os relatos recolhidos estão refeições com gosto desagradável, peixe apresentado com sinais que podem indicar congelação por tempo excessivo e acompanhamentos restritos, por exemplo apenas talos de brócolos. Uma das pessoas que denunciou estas situações é uma antiga chefe da PSP de Santarém, atualmente internada na unidade.
Controlo, reclamatórias e medidas
Segundo a ULS, nos últimos 12 meses houve uma reclamação formal e uma sugestão de melhoria relacionadas com a alimentação hospitalar. A administração assegura que todas as ocorrências são escrutinadas pelas equipas competentes e que, quando necessário, são implementadas medidas corretivas para assegurar a qualidade, a segurança alimentar e a adequação nutricional das refeições.
- Obras na cozinha hospitalar obrigaram à confeção externa das refeições;
- Utentes reportam sabor desagradável, sinais de congelação no peixe e acompanhamentos insuficientes;
- A ULS refere existir um regime de fiscalização e mais de 200 avaliações de satisfação efetuadas no último ano.
Para os moradores e familiares com doentes internados, as queixas trazem interrogações práticas: como é assegurada a cadeia de frio, quem fiscaliza diariamente o processo de transporte e entrega das refeições, e que critérios nutricionais são respeitados no menu hospitalar? A ULS declara que exerce fiscalização rigorosa do cumprimento contratual pelo fornecedor, mas não forneceu, na resposta pública, detalhes pormenorizados sobre os controlos diários realizados durante o período de confeção externa.
A situação realça a necessidade de transparência e de comunicação ativa entre a administração hospitalar e os utentes, sobretudo durante fases transitórias de obras que exigem mudanças logísticas. Para os doentes internados, a alimentação é componente fundamental da recuperação; qualquer falha percebida tem impacto direto no bem-estar e na confiança no serviço.
| Indicador | Valor referido pela ULS |
|---|---|
| Avaliações de satisfação (último ano) | +200 |
| Reclamações formais relacionadas com alimentação (12 meses) | 1 |
| Sugestões de melhoria registadas | 1 |
A comunidade local continuará a acompanhar as respostas da ULS e a evolução das obras na cozinha do hospital, esperando que as medidas adoptadas restabeleçam padrões adequados de qualidade e segurança alimentar o mais rapidamente possível.