Património cemiterial em destaque no final de tarde
Uma visita guiada ao Cemitério Municipal dos Capuchos, em Santarém, convida a revisitar a história urbana e social da cidade através do seu património funerário. A iniciativa, com acompanhamento do historiador José Raimundo Noras, está marcada para sábado, 11 de julho, entre as 19h00 e as 20h30, e tem como ponto de encontro o Largo dos Capuchos. O percurso, intitulado “A eternidade vista dos Capuchos – Património Cemiterial”, propõe-se olhar o cemitério como um arquivo a céu aberto, onde se cruzam memória, arte e urbanismo.
| Data | Hora | Ponto de encontro | Local da visita |
|---|---|---|---|
| 11 de julho (sábado) | 19h00–20h30 | Largo dos Capuchos | Cemitério Municipal dos Capuchos |
Um percurso por dois campos e várias épocas
O itinerário estruturado por José Raimundo Noras divide-se por dois campos do núcleo antigo do cemitério, incidindo nos jazigos e monumentos mais significativos. Entre as paragens previstas, destaca-se o monumento às vítimas da tragédia da noite de 18 de fevereiro, bem como referências a figuras que marcam a história local e nacional, como o Padre Chiquito, o político Passos Manuel e Bernardo Sá Nogueira, associado à elevação de Santarém a cidade. O enfoque abrange as transformações urbanas do século XIX, período determinante na configuração da metrópole e na redefinição dos espaços de memória.
Arte, cripto-história e um museu a céu aberto
Ao longo de hora e meia, o grupo será convidado a reconhecer estilos artísticos presentes nos jazigos e esculturas deste “museu a céu aberto”, apontado como um dos mais antigos do país. A visita convoca ainda a cripto-história da arte, recuperando memórias de espaços desaparecidos na zona do Pereiro, entre os quais as igrejas de São Julião e São Lourenço e o Convento dos Capuchos. O cemitério tem constituição formal de 1835 e o primeiro regulamento de 1839, elementos que sustentam a leitura histórica de longo curso proposta pelo percurso.
“Com entradas para ricos e para pobres, o cemitério de Santarém, de acordo com Pinho Leal, não era o campo de igualdade que a morte proclama”, recorda José Raimundo Noras.
Esta perspetiva social acompanha a leitura estética e histórica, sublinhando as desigualdades inscritas nas formas de sepultar e de monumentalizar a memória. A visita procura, assim, articular património material e narrativas de cidade, contextualizando os ritos, as escolhas arquitetónicas e os protagonistas, e situando-os nos ciclos políticos da Monarquia, I República, Estado Novo e Democracia.
Memória local e ligação à Lezíria
A proposta também convoca a relação sensível entre o lugar e a paisagem ribatejana, chamando a atenção para a leitura do território a partir dos Capuchos, com vista sobre a Lezíria. Como sintetiza a sinopse, trata-se de “ouvir vozes dos mortos” num exercício de memória ativa que ajuda a interpretar a cidade e as suas mudanças. O Cemitério Municipal dos Capuchos, com os seus jazigos marcantes e a diversidade de linguagens artísticas, oferece um quadro privilegiado para compreender como Santarém se transformou e quem a moldou.
Serviço ao leitor: como participar e o que esperar
A organização definiu um horário de fim de tarde, mais ameno, e um ponto de encontro de fácil referência. O percurso é pedonal e de duração limitada, pelo que se recomenda chegar com antecedência e calçado confortável. A visita tem natureza eminentemente histórica, com leitura interpretativa in situ de monumentos e jazigos, e dirige-se a residentes e a quem procura aprofundar o conhecimento do património local.
- Encontro no Largo dos Capuchos e deslocação a pé ao interior do cemitério.
- Foco nos jazigos emblemáticos e nos episódios centrais da história local.
- Enquadramento cronológico do século XIX às atuais formas de memória pública.
Próxima paragem: Ribeira de Santarém
Está já prevista uma próxima visita para a manhã de 22 de agosto, dedicada ao bairro da Ribeira de Santarém, prolongando este ciclo de leituras do território e da identidade local. A continuidade do programa reforça o acesso da comunidade a atividades de educação patrimonial, contribuindo para a valorização do centro histórico e para o reconhecimento dos espaços que estruturam a memória coletiva da cidade.