Obra reivindicada pelos agricultores e contestada por parte da população
A intervenção recente na Ribeira do Alcolobre volta a estar no centro do debate local em Abrantes. O presidente da Associação de Agricultores de Abrantes, Luís Damas, afirmou que a limpeza das margens integra um projeto agrícola mais vasto e que os trabalhos ainda não estão concluídos, pelo que a reposição da vegetação das margens ficará para a próxima época de plantação.
Em declarações à Rádio Antena Livre, o dirigente explicou que a iniciativa abrange diferentes usos do solo — incluindo olival, montado de sobro e manchas de eucalipto — e atua em prédios nos concelhos de Abrantes e Constância. Segundo a Associação, a limpeza visou recuperar uma linha de água que, alegadamente, se encontrava em abandono há décadas e acumulava sedimentos e vegetação invasora.
"A obra ainda não acabou. Quando chegar a época da plantação vão ser colocadas árvores ripícolas, como salgueiros e outras espécies próprias das margens da ribeira."
Luís Damas referiu também que a vegetação removida era em grande parte acácia, classificada por ele como espécie invasora. A argumentação dos agricultores sublinha que a intervenção pretendia restaurar o leito, que segundo o responsável estava praticamente ao nível dos terrenos agrícolas, e reduzir episódios de cheia que, no último inverno, deixaram terrenos inundados durante "mais de cinco meses".
Impactos locais e preocupações
A intervenção suscitou um impacto visual e uma reação negativa em alguns moradores, que viram áreas arborizadas transformarem-se em margens limpas. A Associação reconhece esse choque, mas considera que a perceção resulta do caráter incompleto da obra. Para além da reposição de árvores ripícolas, os responsáveis anunciam que foram removidos troncos e sedimentos acumulados ao longo de "quatro ou cinco décadas".
- Motivo anunciado: recuperar o leito e reduzir inundações recorrentes.
- Medidas previstas: plantação de espécies ripícolas (salgueiros e outras) na próxima época de plantação.
- Controvérsia: perceção pública negativa devido ao aspeto temporário após a limpeza e à remoção de vegetação existente.
| Elemento | Indicação dada |
|---|---|
| Estado anterior | Abandono prolongado; presença majoritária de acácia |
| Problema identificado | Leito ao nível dos terrenos agrícolas; inundações frequentes |
| Prazo citado | Obras ainda não concluídas; plantação na próxima época |
Para os agricultores locais, a remoção de espécies invasoras e o desassoreamento são passos necessários para devolver funcionalidade à ribeira e proteger usos agrícolas próximos. Contudo, a falta de vegetação imediata nas margens e a circulação de imagens do local alimentaram críticas nas redes sociais e junto de moradores que temiam perda de habitat ou degradação paisagística.
O episódio sublinha a necessidade de clarificação e comunicação entre promotores do projeto, agricultores, entidades responsáveis pelos trabalhos e população em geral, designadamente quanto aos prazos de execução e às espécies que serão repostas. A confirmação de que a reposta arbórea inclui salgueiros e outras espécies autóctones é um elemento central para dissipar receios sobre a substituição por flora invasora.
Da perspetiva prática, para os habitantes de Abrantes os pontos essenciais são a mitigação do risco de inundações nas parcelas agrícolas e a garantia de que as intervenções respeitarão critérios ambientais e de ordenamento. A monitorização da execução até à conclusão das plantações ripícolas será decisiva para avaliar o equilíbrio entre recuperação funcional do leito e preservação do valor natural e paisagístico da ribeira.