Estragos e custos da tempestade
O distrito de Santarém concentra cerca de 20% do impacto financeiro estimado pela E-Redes para repor e reforçar a rede de distribuição de energia afetada pela depressão Kristin. No conjunto do país, a empresa estima um esforço financeiro de 110 milhões de euros, dos quais serão suportados aproximadamente 22 milhões no distrito.
Segundo o relatório divulgado pela E-Redes, os danos provocados pela tempestade ocorreram a todos os níveis de tensão da rede e atingiram centenas de quilómetros de infraestruturas. No pico do evento, cerca de um milhão de clientes em Portugal Continental ficaram sem energia; uma hora depois permaneciam sem eletricidade cerca de 855 mil consumidores, sobretudo em distritos como Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Portalegre, Leiria, Santarém e Setúbal.
Intervenções já realizadas e áreas prioritárias
Dos 110 milhões previstos, a empresa já aplicou cerca de 65 milhões em intervenções. A repartição do valor já executado distribui-se por níveis de tensão: a média tensão representa metade do valor aplicado, a alta tensão corresponde a 30% e a baixa tensão a 20%. Embora a baixa tensão tenha menor peso financeiro, exige um elevado número de intervenções dispersas pelo território.
“Os estragos provocados pela Kristin foram ‘extensos e profundos’ e atingiram todos os níveis de tensão da rede eléctrica.”
No terreno foram contabilizados danos significativos: mais de 6 000 km de rede afetada, incluindo mais de 500 km que precisam de reparação ou substituição de condutores, postes e outros equipamentos; identificaram-se 5 300 postes e apoios danificados e 47 subestações com estragos, das quais 24 ficaram impedidas de receber alimentação.
- Santarém: 20% do impacto financeiro total (≈ 22 M€).
- Leiria: maior peso, cerca de 45% do impacto total.
- Coimbra e Castelo Branco: aproximadamente 10% cada.
| Distrito | Percentual do impacto |
|---|---|
| Leiria | 45% |
| Santarém | 20% |
| Coimbra | 10% |
| Castelo Branco | 10% |
| Outros | 15% |
Para os habitantes de Santarém, a dimensão do prejuízo traduz-se não só num esforço de recuperação das infraestruturas como também na necessidade de planeamento para reforçar a resiliência face a novos eventos climáticos severos. A dispersão dos danos em baixa tensão implica intervenções localizadas que podem condicionar fornecimentos pontuais enquanto decorrerem os trabalhos.
As informações divulgadas pela E-Redes mostram um compromisso financeiro já em curso, mas salientam também a escala das operações ainda por concluir, que incluem substituição de postes, reparação de condutores e recuperação de subestações. A consolidação dos prazos de intervenção e a coordenação com municípios serão determinantes para minimizar interrupções e proteger consumidores.