Um consultor do WWF Portugal afirmou que a região da Costa de Caparica, no concelho de Almada, dispõe de uma «origem de água fabulosa», mas alertou para riscos decorrentes da gestão atual dos recursos hídricos e para a necessidade de investimento nos sistemas de distribuição. As observações foram feitas por Afonso do Ó, especialista em água e restauro ecológico.
Perdas no sistema e consumo próximo do limite
Segundo o perito, o país está a consumir «muito próximo do limite da oferta» e é necessário adoptar uma cultura diferente quanto ao uso da água. O exemplo apontado refere perdas consideráveis na rede: em média, cerca de um terço da água captada não chega ao consumidor final — um desperdício que, traduzido em volume, equivale a cerca de nove piscinas olímpicas por hora.
Esta realidade tem consequências diretas para os habitantes de Almada e da Costa de Caparica, nomeadamente na pressão sobre os pontos de captação, na vulnerabilidade a períodos secos e na necessidade de investimentos tecnológicos e de renovação de infraestruturas de distribuição.
Propostas para uma gestão mais transparente e independente
Afonso do Ó defendeu a criação de um Secretariado Técnico Permanente para gerir caudais dos rios, com independência dos governos de Portugal e Espanha, de modo a reduzir o risco de conflitos diplomáticos e aumentar a transparência da informação pública sobre recursos hídricos. Para Almada, uma estrutura técnica deste tipo poderia traduzir-se em melhores dados de planeamento e em políticas de abastecimento mais resilientes.
- Origem de água da Costa de Caparica considerada de qualidade e em quantidade favorável;
- Perdas na rede estimadas em 1/3 da água captada;
- Equivalência do desperdício: 9 piscinas olímpicas por hora;
- Sugestão de um organismo técnico independente para gerir caudais transfronteiriços.
«Toda aquela região tem uma origem de água fabulosa», afirmou o consultor, sublinhando que a responsabilidade recai agora sobre a gestão e as infraestruturas.
Para os responsáveis locais e para a população, as recomendações apontam para três linhas de ação práticas: prioritizar a renovação de condutas e reduzirem-se as perdas, investir em sistemas de telemetria e controlo para monitorizar perdas e consumos, e promover campanhas públicas de poupança de água. Sem estas medidas, a disponibilidade local pode ser posta à prova em situações de stress hídrico.
| Indicador | Valor referido |
|---|---|
| Percentagem média de perdas | 1/3 |
| Equivalente em volume | 9 piscinas olímpicas por hora |
As declarações colocam na agenda local a necessidade de articulação entre câmaras, entidades reguladoras e operadores de água para assegurar que a «origem fabulosa» da Costa de Caparica se traduz em abastecimento seguro e contínuo para as famílias e empresas de Almada.