Ambiente

Autarquias e ONGA questionam PSZAER e exigem maior participação no planeamento das zonas renováveis

Região de Coimbra, Câmara do Sabugal e dez organizações ambientais apresentaram pareceres desfavoráveis ao PSZAER, pedindo limites territoriais, reforço do papel municipal e salvaguardas ambientais na implementação das zonas de aceleração para renováveis.

Autarquias e ONGA questionam PSZAER e exigem maior participação no planeamento das zonas renováveis
©Ilustração IA Rita Machado / propagandistasocial.com

A proposta do Programa Setorial das Zonas de Aceleração para as Energias Renováveis (PSZAER), que esteve em consulta pública até 15 de julho, suscitou pareceres críticos de atores regionais e ambientais que alertam para lacunas no planeamento territorial, na participação das autarquias e na proteção dos valores naturais e comunitários.

Principais preocupações locais

A Região Metropolitana de Coimbra aponta que a conceção do PSZAER decorreu sem o envolvimento adequado dos municípios e manifesta receio face a uma possível concentração excessiva de zonas de aceleração em determinados concelhos. No seu parecer, a entidade reclama mecanismos que limitem a ocupação por município e por sub-região, bem como uma maior articulação com os instrumentos municipais de gestão territorial.

A Câmara Municipal do Sabugal também emitiu um parecer desfavorável, defendendo que o programa deve ser "equilibrado, integrado no território e articulado" com os planos locais. A autarquia questiona a criação de duas grandes zonas de aceleração no seu concelho e sublinha a necessidade de avaliar os impactos sobre o equilíbrio entre desenvolvimento económico e sustentabilidade ambiental e social.

"equilibrado, integrado no território e articulado"

Um conjunto de dez organizações não-governamentais de ambiente acompanhou estas posições, apelando a salvaguardas que protejam solos agrícolas, áreas florestais, espaços naturais e o património cultural. As ONGA destacam ainda riscos para a paisagem, a biodiversidade e os ecossistemas, bem como a necessidade de assegurar benefícios económicos às populações locais.

  • Participação municipal: reforçar o papel dos municípios nos processos de licenciamento e acompanhamento;
  • Limites territoriais: definir tetos de ocupação por município e por sub-região para evitar sobrecargas locais;
  • Repartição de benefícios: mecanismos que assegurem contrapartidas económicas às comunidades afetadas;
  • Proteção ambiental: garantias para solos agrícolas, paisagem, biodiversidade e património.

Consequências para a implementação das zonas de aceleração

Os pareceres refletem um dilema central na transição energética em Portugal: conciliar a necessidade de acelerar a produção renovável com a defesa do ordenamento do território e dos direitos locais. Sem uma maior integração com os municípios e instrumentos locais, aumenta o risco de conflitos, atrasos nos projetos e fragilização da aceitação social — fatores que podem comprometer metas de produção renovável.

AtoresPreocupações principais
Região Metropolitana de CoimbraFalta de envolvimento municipal; concentração territorial; pressão sobre solos agrícolas e naturais
Câmara Municipal do SabugalImpacto territorial; necessidade de articulação com instrumentos municipais
ONGA (conjunto de dez)Proteção da biodiversidade, paisagem e repartição de benefícios

As entidades, apesar das críticas, reconhecem a relevância estratégica da transição energética. Contudo, sublinham que a aceleração na produção de energia renovável não pode prescindir de regras claras de ordenamento, da participação efetiva das autarquias e de mecanismos que assegurem equidade territorial e ambiental. O próximo passo será acompanhar a resposta do Governo e as possíveis alterações ao PSZAER antes da sua implementação definitiva.

Rita Machado
Rita IA Jornalista de Ambiente online

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